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domingo, 27 de abril de 2008

Jornalismo responsável

Considero muito importante a profissão de jornalista. Afinal, é a imprensa quem, muitas vezes, mostra o que tem de errado nesse País e nesse mundo. É só ver o caso de escândalos como o mensalão, o uso de cartões corporativos para comprar coisas para o bem próprio em vez de usar o próprio dinheiro - como nós, pobres votantes, fazemos -, e o consumo de drogas em esportes como no automobilismo. Fora aquelas reportagens investigativas que mostram falcatruas, como a compra de lugares na fila do SUS para quem tem condições de pagar por consulta particular, e a fraude com merenda escolar e a liberação de sucatas para o transporte escolar. É um papel importante que o jornalismo tem com a sociedade, principalmente pela área em que está inserida: a Comunicação Social.

O problema é quando ela é social demais. Durante a semana passada, entre os dias 20 e 25 de abril o Rio Grande do Sul ficou apreensivo. Após um roubo de carro, um seqüestro praticamente comoveu todos os gaúchos, dado à sua gravidade - segundo a imprensa. Afinal, a cadela Layka foi levada pelos ladrões junto com o carro dos donos.

Confesso que a revolta tomou meu pobre coração de pedra. É sério. Nunca imaginei que a imprensa fosse transformar isso em um caso de extrema importância - ainda mais um dos jornais mais lidos aqui em terras gaúchas. Imagina só quantas pessoas são seqüestradas por dia - seja naqueles relâmpagos ou nos "tradicionais" - e a gente não é noticiado. O que faz ela pensar que o de uma cadela de uma família que considero de classe média alta - não é todo mundo que tem cerca de R$ 40 mil pra comprar um Honda Fit - é mais importante?

"Ah, mas pobre da cadelinha, ela ficou sem os donos durante um bom tempo". Sim, pequena criatura. É um tanto comovente. Mas, já que é para falar de animais, o que dizer daqueles que morrem todos os dias na rua de fome - ou em nome da arte? Fora os mendigos que são, por muitas vezes, tratados como animais?

Nada contra. A família pode ter sofrido horrores, como todos nós sofremos quando alguém querido é levado - seja de forma momentânea ou eterna -, mas, daí, fazer um monte de matéria - foram, no mínimo, três - para manter-nos informado sobre o paradeiro da cadelinha já é demais.

O que importa é que a "pobre" cadela Layka está de volta ao lar para poder comer sua raçãozinha Frolic e dormir em sua casinha confortável - com direito a destaque na editoria de Geral do já citado jornal.

6 comentários:

Manu disse...

é exatamente essa a questão: eles são de classe média alta.

eu só li a segunda matéria, onde falavam que várias pessoas haviam ligado de vários lugares do estado (?).

Por causa de um cachorro?????
Se fosse o irmão mais novo dele que tivesse naquele carro, eles não teriam recebidos tantas ligações!

medo desse povo.

;****

ps: acabei de postar sobre cachorro tb ehueheueheue o/

Pedro Favaro disse...

O importante é a cadela voltar a comer Frolic no conforto do lar!

Muito bacana seu blog!

Leo disse...

Sabe que eu penso parecido...é dada muita ênfase a coisas fúteis e o efetivamente importante fica de fora.
Revoltante isso. Mas o Bicho Homem é assim mesmo né? Então paciência :/

Bianca Rieth disse...

O que um cachorro não faz!! Estamos perdidos!!

Mas, é até engraçado. A impresa às vezes (muitas vezes) dá ênfase a algumas coisas “sem noção”, em outros casos, extrapola de tanta informação. A mídia ainda não chegou num consenso de medida exata, no seu êxito “normal”.

Aquelas Estórias: atualizado =)

Raquel disse...

E os redatores de ZH nem imaginam que a cadelinha mijará na coluna dedicada à ela.

Somos tão carentes de exemplos e ídolos que até cachorros são glorificados.

Vanessa disse...

isso me lembra aquele cachorro q foi posto pra morrer de fome em um obra artistica de um argentino doido... isso sim é noticia.
mas entendo o q tu disse, esse sensacionalismo não tem sentido se comparado ao mundo real, fora das páginas...