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sexta-feira, 23 de maio de 2008

Rápido e marcante

Estávamos com pressa. Enfim, precisávamos chegar o quanto antes naquele maldito trem. Sabe como é essa vida de estudante que mora em uma cidade e estuda em outra: um verdadeiro saco. Tem de cuidar de tudo, principalmente do horário para sair do trabalho para que não chegue muito atrasado na aula – e possa repetir a disciplina devido a (falta de) freqüência escolar.

Ok, essa explicação demorou um parágrafo, mas foi necessária. Então, precisávamos chegar o quanto antes naquele maldito trem. Ele é mais rápido que andar na estrada, pois não tem congestionamento. O único problema é ficar apertado por um monte de gente. Agora, sim, sei o que uma sardinha sente quando está enlatada. A diferença entre ela e eu é que um de nós está morto – nesse caso, o peixe.

Passamos a roleta – que em alguns lugares é chamada de “catraca” – e fomos direto para as escadas de concreto. Poderíamos escolher a escada rolante, mas como a fila é imensa e temos uma vida sedentária, resolvemos fazer exercícios.

“Estamos chegando”, eu digo, quando sinto um arrepio pelo meu corpo todo. Uma mão delicada pousa sobre a minha nuca. Olho para trás para ver o que está acontecendo – juro que imaginava ser um assalto – e ela aproxima aqueles maravilhosos lábios carnudos dos meus, me forçando a beijá-la.

Dez segundos. Não que eu ande com cronômetro para cima e para baixo para ver quanto tempo demoro, mas aquele beijo não demorou mais do que dez segundos. Nem por isso deixou de ser marcante. A sensação de ter um beijo roubado é maravilhosa. A gente se sente especial, e aquele momento, por mais curto que seja, marca.

Por que? Ora, porque o beijo roubado é o início de tudo. Pode ser o início de um belo romance, como a perda de uma valiosa amizade. Porém, é impossível não se sentir especial neste momento, pois o inesperado fomenta a adrenalina, nosso coração bate cada vez mais forte, as pernas balançam como se fôssemos portadores de Mal de Parkinson, e as nossas línguas se movimentam de uma forma intensa, junto com os nossos 29 músculos faciais – rápida, é verdade, mas também maravilhosamente intensa.

Enfim, apenas dez segundos, mas muito mais marcantes que aqueles de cinco, dez minutos.

10 comentários:

tunai giorge disse...

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agora eu sei pq não sai o TCC...

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Bianca Rieth disse...

No meu entendimento, o beijo é uma demonstração de carinho! Uma forma de sentir quem se gosta.

tarso marques disse...

maluco...tu tem o dom!! hahaha
abraço

Pedro Favaro disse...

Roubado é excelente!
Diz tudo... rápido e indolor!

Vinícius Ghise disse...

Salve os beijos roubados!

Leandro BLuz disse...

Tchê, teus contos estão cada vez melhores...

Fiquei imaginando a garota, o momento... loucura, loucura...

Sentiria-te ofendido se eu fizesse um conto inspirado no teu? Com os devidos créditos, é claro!

Te linkei, tudo bem ?

Abraço

Piero disse...

Não sei porque, mas não irei me admirar se um dia eu chegar aqui no teu blog e ver um post sobre japonesas vestidas de colegial.

Desarranjo Sintético disse...

Muito bom, descrição perfeita de beijo roubado, rsrs. Uma das boas coisas que marcam, afinal muitas vezes as coisas ruins que marcam...Adoro seus contos!
Valeu os comentários lá no meu blog!

Mary West disse...

Oh puxa eu nunca roubei um beijo ó...Preciso utilizar desta arma.

Pequena Kah disse...
Este comentário foi removido pelo autor.