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segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Um turista em sua própria cidade

R. é um cara bacana. Acordou cedo, todo felizão, pois estrearia no seu novo estágio. Perguntou ao seu velho, o Seu E., qual ônibus deveria pegar para chegar lá, já que era do outro lado da cidade. Foi lá e fez exatamente o que o velho disse.

Enquanto estava na viagem de ida, seu futuro chefe ligou: “R., para encontrar o local aqui é fácil. É só seguir em frente depois do Viaduto Obirici e, quando vires um bazar chamado Variedades dobra à direita. Segue em frente, até um prédio azul: é nele que montei o escritório”.

O cobrador do ônibus logo avisou ao R. como encontrar o tal viaduto: “Seguinte, é só tu descer na próxima, pegar a esquerda e seguir em frente por umas três ou quatro quadras”. E lá foi o R., todo sorridente, afinal, logo, logo estaria no seu novo trampo. Caminhou duas quadras e viu o nome da rua em que deveria entrar. Olhou em frente e não achou o tal bazar. Deu mais alguns passos, olhou para trás e, tcharaaaaaaaam. Lá estava o dito cujo. “Estranho”, pensou. Mas não por muito tempo. Afinal, estava chegando no trabalho.

Quatro horas. Nada mais que isso. Assim foi o seu primeiro dia de trabalho. Catou algumas notícias para abastecer um portal, recortou alguns jornais e colou em algumas folhinhas para apresentar aos clientes de seu novo trabalho no final do mês – e, assim, lembrou-se que não tinha coordenação para fazer recortes. Coisa boba.

Ao final, deu tchau ao, agora, seu chefe e foi em busca da parada para pegar o ônibus de volta à casa. Sentou e começou a olhar o caminho. O veículo deu tantas voltas que chegou a ficar tonto. O tempo passava e a viagem, entretanto, nunca terminava. Aos poucos, R. começou a ficar nervoso. A cada cinco minutos olhava no relógio e, depois, à janela. “A melhor churrascaria da Zona Norte”, dizia uma placa. “Zona Norte? Bem, daqui a pouco vem a placa dizendo ‘Centro’!”, pensou ele.

Engano seu. O ônibus continuava a dar voltas e mais voltas. Mas R. não se atreveu a perguntar ao cobrador se estava no rumo certo. Acreditava de que era o caminho. Cerca de 40 minutos se passaram quando deu-se conta: o seu (agora) chefe lhe disse para, quando descer no viaduto, seguir em frente e entrar à direita quando avistasse o Bazar Variedades. “Puta que pariu! Entrei à esquerda, na rua certa, e encontrei o lugar”. É! R. percebeu que o caminho estava errado. Principalmente depois de avistar uma placa com os dizeres “Bem-vindo à Alvorada”.

Desespero? Que nada! Lembrou-se de um dos professores de seu cursinho pré-vestibular que dizia que, quando era pirralho, pegava os ônibus de outras empresas para ver até onde ia. “Magrão, a maior besteira é o cara morar numa cidade e não conhece-la”, dizia ele. Foi o que R. fez. Pelo menos, estava conhecendo um pouco mais da cidade que, apesar dos 23 anos de morada, não conhecia muito bem.

Após um certo tempo falou ao cobrador “achei que estava a caminho do centro, mas acho que peguei o ônibus certo pelo lado errado”. O cobrador deu um leve sorriso como se imaginasse “que guri estúpido”, mas logo confortou-o: “Não te preocupa. Fica aí dentro do ônibus que a gente já volta”, e advertiu: “da próxima vez, pega pelo outro lado”.

R. agradeceu e continuou no ônibus. Não dormiu – algo estranho, porque, sempre em viagens longas, dorme. Queria, agora, conhecer um pouco mais daquele caminho desconhecido. Mas não conseguiu: ficou pensando em uma maneira divertida de contar como conseguiu a proeza de quase se perder em sua própria cidade.

***


P.s.: Não consegui, durante a semana passada, escrever o Mulheres Interessantes. Sabe como é, estava atucanado no outro estágio, cheio de coisa para fazer. Aí não deu. Mas, prometo, que tudo voltará nesta semana. Aguarde!

5 comentários:

Vanessa disse...

ah nããooo. shaushua

eu fiz a mesma coisa, na mesma parte da cidade.
nós somos dois caipiras da zona sul! hahaha
odeio a zona norte, não tem árvore lá.
como diz o fábio, "lembra o méxico".

tunai giorge disse...

.

HaeuHUheuEHuehUEHuehuE
isso é o tipo de coisa que todo mundo que anda de bus, vai fazer um dia...

.

Camila Cunha disse...

ahuehuehuauhuaa
Quando li o "Bem-vindo a Alvorada" me dobrei aqui! O R. (boca aberta) quase me fez uma visita involuntária!
Bom, a zona norte eu conheço bem, o centro de Porto Alegre eu conheço bem e a zona sul conheço o básico do básico. Da minha cidade, "a capital da solidariedade" (atiramos por você), conheço muito bem a avenida central e três bairros. O resto...
Porto Alegre conheci muito mais esse ano, já que a Famecos me faz ir a muitos lugares!

Piero Barcellos disse...

Velho... até hoje eu me perco no centro, hehehehe. Então não te estressa que aos poucos o senso de orientação vai se adaptando. Mesmo que demore 23 anos pra isso.

Bianca Rieth disse...

“Magrão, a maior besteira é o cara morar numa cidade e não conhece-la”, dizia ele:

Se eu não me engano, que sempre dizia isso nas aulas, era o Zé, como sinto saudade do Unificado, uma das melhores etapas da minha vida.

To descobrindo o teu blog ;) e to achando divertido.

beijos