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sexta-feira, 1 de agosto de 2008

The Brother Hood Band

Ele chegou no local indicado por um dos seus amigos. Era um bar interessante. Estilo pub, porém mais aconchegante. Por todos os lados tinham quadros da banda inglesa The Beatles. "Putz, como que fui esquecer que Sgt. Peppers era o nome de um dos cds dos caras?", pensou, quase que dando um tapa na testa.

Usava o seu traje habitual. Uma calça jeans preta, uma camiseta preta, por cima, um paletó preto. Calçava sapatos pretos e, sobre a cabeça, um chapéu estilo Panamá, também preto. Essa era a cor preferida. "Contrasta com a cor dos meus dentes", disse certa vez a uma ex-namorada.

Enquanto aguardava a banda subir ao palco para tocar, pediu ao garçon para trazer-lhe uma lata de Coca-Cola e uma Torta de Sorvete. Achou engraçado o modo como se vestiam os garçons: sapatos, calça social, colete e chapéus pretos. A única coisa que os diferenciava era a cor da camisa - a dos garçons era branca. Ah, e o chapéu também era diferente, um pouco arredondado na parte de cima.

Quando seu pedido chegou, entrou em êxtase: a Coca-Cola estava bem gelada e a torta de sorvete coberta com um chocolate delicioso. "Ah, se lá em casa fosse assim", pensou. Foi quando percebeu algo diferente. O telão que ficava um pouco à frente tocando Rolling Stones - foi aí que percebeu porque ele cantava "I know, is only rock'n roll, but I like it" - subir aos poucos. Insantes depois, cinco pessoas subiram e pegaram seus instrumentos.

Uma palavrinha amiga do vocalista, agradecendo pela presença de todos, explicando um pouco do esquema do show - que era dividido em dois blocos.

Quando a banda começou a tocar, a surpresa: mesmo o show sendo um tributo a um dos maiores músicos do século passado, Eric Clapton, eles eram simples. Muito diferente de outros grupos que foi obrigado a ver. Um bando de mané que mais grita do que canta e que são piores que os punks: em vez de três acordes, sabem só dois.

Ele ficou ali, contemplando a banda tocar de uma forma harmônica e de uma simplicidade incrível. Nada de baterista virtuosi, que acha que ficar descendo a lenha no instrumento vai fazer a galera levantar. O tecladista, mesmo fazendo solos eletrizantes, em momento algum se achou maior que os outros e, o tempo todo, manteve-se discreto.

Na frente, os três homens dos instrumentos de corda completavam a humildade dos demais: nada de ajoelhadas, cabeça pra trás e língua pra fora. Nada de pulos e mais pulos em círculos. Nada de guitarra atrás da nuca dedilhando o hino dos Estados Unidos. Eles estavam ali não para fazer malabarismos, mas para tocar. E isso o encantou.

Encantou não apenas por isso. A cumplicidade que os componentes tinham era demonstrada a cada música, a cada sorriso, a cada início, decorrer e término de música. Tanto é que, mesmo não gostando de Clapton, viu-se cantando algumas músicas quase que de trás pra frente, passando pela versão acústica de "Tears in Heaven" até a fabulosa "Layla". A banda era, praticamente, perfeita.

Só não era perfeita por um problema: não era ligada à modinha. Porque, se fosse, com certeza estaria na boca do povo, mas também gritando, em vez de cantar, fazendo malabarismos em vez de tocar e escrevendo músicas imbecis em que a melhor rima é aquela entre "razões" e "emoções".

Depois que acabou, o nosso amigo terminou sua segunda torta de sorvete, aplaudiu os músicos, pagou a conta e pensou na merda de não ser um produtor musical. Porque, se fosse com ele, essa banda estava nas paradas. Infelizmente, era um mero estudante, dono de um blog não muito conhecido.

BrotherHood Rock&Blues. Essa banda poderia fazer sucesso. Se é que não fará.

4 comentários:

Izze. disse...

Eita, coisa boa geralmente tá longe do gosto da maioria... Infelizmente.
E realmente, guitarrinha na nuca e tocar ajoelhado no chão é mui-to bre-ga e não acrescenta nada a show algum...

Maaaaas tenho esperança de que, algum dia, o gosto musical do povão mude, ou que pelo menos surjam produtores com mais senso de ridículo. xD

Mary West disse...

Ahhh soh acho que se pode muito bem aproveitar-se ainda do anonimato. Eu sou uma completa neurotica com a sindrome do underground e se todo mundo descobrir as coisas boas, perde-se a graça.

tarso marques disse...

isso me faz lembrar um certo show de hardcore aqui em curitiba....numa casa de show chamada (porão) 92 graus. era um porao mesmo e que abrigava shows de hardcore, punkrock, psichobilly...só som underground, com a galera tocando com gosto mesmo e nao por causa do dinheiro marketeiro das gravadoras...
que saudades do porão...

Tunai Giorge disse...

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Eu acho legal quebrar guitarras e guspir na platéia... ^^
Meu sonho é me apresentar no Faustão e quando ele soltar a frase clássica: " ô loco meu! quem sabe faz ao vivo" eu sair caminhando em direção a câmera e num golpe só destruir a mesma com minha guitarra, enquanto meu baterista joga o bumbo na platéia e o baixista arremessa o baixo contra aquele telão que tem no palco.
aIEHiaehEAIheiuEHiehIEUHIaehiUEa

Nem vem, que todo mundo ia achar isso o máximo!

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