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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Sexo ou amor?

“Se tu tivesse uma única escolha, qual seria?” Essa pergunta me foi feita dia desses pela Isadora Berganthine. Creio que alguns leitores dessa bodega devem ter imaginado “Ah, vindo do Rodrigo, a resposta é óbvia e só pode ter respondido de imediato: sexo”.

Quem imaginou isso, simplesmente errou. Confesso que responder esta pergunta não foi fácil. Na verdade, nem um pouco. E vai ser difícil encontrar palavras suficientes e – por que não? – coerentes para explicar o porque disso tudo.

Fiquei intrigado com esta simples pergunta. “Sexo ou amor, se a escolha fosse única?”. Simplicidade com muita complexidade. Pelo menos para mim, um defensor do sexo pelo sexo, não necessariamente tendo um sentimento maior do que o tesão.

Sexo é bom e, quem já o fez, com (quase) toda a certeza gosta. Porém, escolher essa opção sem uma divagação sobre seria um tanto imbecil, da minha parte. Porque a transa é algo muito mais egoísta do que “solidária”. Quem a escolhe quer, antes de tudo, o prazer pessoal e nem sempre para te-lo é necessário doar-se a quem está na cama – ou no escritório, ou no banheiro, ou na porta corta-fogo – contigo.

“Ah, então pensaste no amor, né ô muquirana”. Sim, pensei na escolha do amor. Até, também, debater comigo e com meus amigos Jana e Felipe sobre isso. E cheguei a conclusão que, para mim, é difícil explicar o que é o amor. Ainda mais para alguém que, como eu, não acredita na existência desse sentimento entre duas pessoas que estão em um relacionamento.

Ao meu ver, o amor é uma utopia para a paixão. “Mas paixão é uma coisa doentia”, disse na conversa a Jana. Não penso nisso. Penso que ela é que motiva a gente a buscar o amor, a nossa utopia. Porque o amor não é eterno. Posso estar hoje com minha (eventual) namorada e esta paixão durar um mês, um ano, dez anos, 15, 20, 25, 50 e por aí vai. Mas vai chegar um momento que ela simplesmente deixará de existir, como a chama de uma vela.

“Sexo ou amor? Qual das duas?”. Difícil escolha, mas que é necessário fazer uma. Não por ser muito egoísta, mas por não estar apaixonado para entrar na busca desta utopia. Então, a escolha foi para o sexo, mas nada impede que ele possa me motivar a buscar o amor.

E tu? Qual a tua escolha?

sábado, 10 de janeiro de 2009

Carta a alguém especial

Oi Vô, tudo bem?

Pois é, meu velho, quanto tempo que a gente não se fala, hein? Muito, não é?

Sabe por que estou escrevendo este texto? Não? Para te agradecer, véio Dilon. Ou tu acha que eu esqueceria tudo o que fizeste por mim durante esse tempo todo?

Ah! Não vem começar a perguntar "agradecer pelo que, meu neto?". Modéstia é bom, mas só de vez em quando. E, agora, eu tenho que te agradecer e tu vais parar de frescura.

Mas aí, quem diria, né? Quem diria que aquele teu pequeno gesto logo nos meus primeiros anos nesse mundo iriam influenciar em minha vida, não é? Acredito que nunca pensaste que, ao me tirar do berço algumas madrugadas e algumas manhãs, me colocar no teu colo e me "forçar" a assistir as corridas da Fórmula 1, ditaria os rumos que tomei. É ou não é?

É, véio Dilon, tu fizeste isso mesmo. Me fizeste assistir longas corridas e, agora, sou fanático por este esporte a motor. Como sabes, foi por causa dele que escolhi ser jornalista, não é? Pois é. Ainda não creio nisso. Aliás, não creio que esse teu gesto também ditou os rumos do meu Trabalho de Conclusão de Curso. Isso mesmo, aquele em que fui "aprovado plenamente" pela banca, no dia 16 de dezembro de 2008. Que coisa, não?

Pois é, meu véio. Por isso que escrevo neste pequeno espaço este agradecimento. Faço isso porque não tenho como te agradecer pessoalmente. Deus quis a tua companhia logo aos meus dois anos de vida e, infelizmente, só te tive ao meu lado em espírito, não em corpo.

Não pude te levar aos autódromos para as coberturas que realizei, não tive a tua presença na minha banca e nem na minha formatura. Falando em formatura, sabia que hoje, dia 10 de janeiro de 2009, eu me tornei jornalista? É! Me tornei jornalista, véio. E tudo isso por tua culpa causa. Tu é foda, véio.

Enfim, mais uma vez, muito obrigado. Pode deixar que, daqui uns anos, a gente põe o papo em dia. Mas espera um pouco. Ainda tenho muito trabalho pra fazer aqui. Aguarda mais uns, deixa eu ver, 70 anos e aí a gente dá uma trela.

Beijo, vô. Te amo.

Texto em homenagem ao meu avô, Dilon Corrêa Dias, que, apesar do pouco tempo de convivência, definiu o meu destino.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O fim do Tangos e Tragédias

Lembro mais ou menos de quando vi Tangos e Tragédias pela primeira vez. Era fim do ano de 2006 ou de 2007, em um projeto da Aracruz Celulose. Na ocasião, a empresa levou o espetáculo à uma praça no bairro Tristeza, na Zona Sul de Porto Alegre. Meus pais, eu, três amigos e mais o público assistimos a tudo de forma gratuita. Uma maravilha.

Ontem, dia 7 deste mês inicial de 2009, assisti novamente o espetáculo. É incrível que, com 25 anos de existência, o Tangos e Tragédias consegue lotar o Theatro São Pedro. Isso mostra o quão querida, pelo público, é a peça criada por Hique Gomes e Nico Nicolaievsk em 1984.

Porém, percebe-se que os atores estão meio cansados de apresentá-la. O repertório é o mesmo do que eu assisti pela primeira vez, só que com um detalhe: as ordens das músicas mudaram e, como todo espetáculo teatral, o improviso é a peça-chave para o sucesso.

A galera canta, ri, se diverte, mas chega um momento em que se perde um pouco da graça. Gomes, encarnando o violinista Kraunus Sang, continua com aquela cara de louco, mas a piada sobre como tem que soltar o "Bah" durante a Aquarela da Sbórnia, já cansou. O mesmo pode se dizer sobre Maestro Pletskaya, personagem de Nicolaievsk, e sua teoria sobre a diferença entre a baba e o cuspe.

Lógico, nem por isso deixei de rir, de cantar algumas músicas - como a da Ana Cristina -, nem de dançar o Copérnico. Mas sabe quando, depois do espetáculo, tu dizes "onde estão as novas tragédias?". Pois é, senti falta das novas tragédias. O roteiro é o mesmo e, infelizmente, faz a peça perder um pouco a graça, mas não toda.

Sinto que está na hora de Kraunus e Pletskaya fazerem uma peça final, o último ato. Talvez aproveitar essa história de aquecimento global e ver a Sbornia ficar submersa após o degelo do Pólo Sul. Com toda a certeza, seria algo histórico e faria todos sentirem saudades dos Tangos e das Tragédias.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Portas corta-fogo em shopping é imprescindível

Ah! Nada como voltar a escrever neste blog após uma semana de muitas aventuras em Brasília (DF) e em Goiânia (GO), respectivamente. E nada como voltar com um textinho revoltado, já que o último, por mais bonito que tenha ficado, não é muito a minha laia. Sim, eu tenho sentimentos, mas não sou de expô-los assim, a todo o tempo. =P

Foi na Capital federal que eu pude perceber como as portas corta-fogo são importantes demais. Ao perambular por um shopping que fica próximo à rodoviária e cerca de meia-hora de distância do Congresso Nacional a pé, vi que o local não era "equipado" com estas portas.

Isso é inconcebível. Dá vontade de mandar pro Procon e exigir multa. Porque as portas corta-fogo são importantíssimas. Em caso de incêndio, é para lá que as pessoas vão. É uma maneira de se proteger daquele fogo que vai correndo atrás e pode te queimar.

E, também, é um ótimo "cafofo" para dar uns amassos. Nada mais constrangedor que um guardinha do shopping chegar pra ti, enquanto tu está no bem bom com uma guria, e dizer "vocês não podem ficar aqui". Isso só porque estava em um lugar que era inacessível aos reles consumidores e com apenas uma cordinha como divisória.

Porra, se tivessem as portas corta-fogo nada disso aconteceria. É um lugar com pouquíssimo movimento e onde é possível apagar qualquer fogo - seja ele real ou metafórico. Se não tem porta corta-fogo, então, que deixe um espaço livre no banheiro para isso. Caso contrário, exploda o shopping.

***

P.s.: Em breve, escreverei como foi a minha visita, dia por dia, a Brasília e a Goiânia. Agora, deixa eu descansar.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Olhar pros dois lados é essencial

Em certas horas dou graças a Deus por assimilar algumas coisas que meus pais falavam à mim quando era criança. Uma delas, que eu esqueci apenas uma vez nestes meus 24 anos de vida, é: "ô guri, olha pros dois lados antes de atravessar a rua, senão tu vai ser atropelado". Porém, certas vezes a gente não ouve. Principalmente quando se tem menos de 15 anos.

Nessa sexta eu estava indo ao mercadinho comprar bife para poder almoçar. Mal cheguei em um terço do caminho quando ouvi um barulho que me fez ficar mais atento: pneus fritando. Depois, um estouro de uma batida e um corpo rechonchudinho voando, como se fosse uma bola de futebol. O guri se levantou um pouco, depois começou a chorar e se estirou no chão com dor na perna. Não devia ter mais do que 13 anos.

Não quero, aqui, apontar culpados. Conversei com uma amiga minha quase na madrugada e ela me disse que a culpa é sempre do motorista, porque é ele quem tem a arma e é quem tem mais condições de evitar o acidente. Será?

Pergunto isso porque eu vi, nitidamente, o guri atravessando a rua sem olhar pros lados. Estava desatento.

Peço para imaginar a seguinte situação: tu está no carro, a uma média de 60km/h, quando, do nada, surge alguém atravessando a rua. A possibilidade desse alguém ser levantado pelo teu veículo, acredito, é grande - principalmente levando-se em conta questões como a frenagem do carro ser fraca e o reflexo do condutor. Acredito ter sido isso um dos fatores que fizeram o guri ser atropelado.

Como li num estudo, "muitos (pedestres) são desatentos e confiam demais na ação do motorista para evitar atropelamentos". Ou seja, o guri pode até ter visto o carro vindo em sua direção, mas achou que o carinha ia parar para que atravessasse a rua. Ledo engano. Quase que contribuiu para uma estatística apontda pelo Guia do Programa Criança Segura, que apontou um número de 1.192 acidentes com crianças entre 05 e 14 anos.

Lógico, o motorista também teve uma parcela de culpa. A rua em que o guri foi atropelado não é duplicada e, pelo som um tanto longo de pneu derrapando, foi possível concluir que ele estava rápido demais para este tipo de estrada.

Fora que provavelmente também estava desatento, conversando ao volante, tendo em vista que estava com mais um amigo no carro. Além disso, mostrou uma puta falta de sensibilidade, pois saiu do carrinho branco logo perguntando "Ô guri, tu tá louco?", em vez de um "Cara, tu tá bem?".

Acredito que o acidente poderia ter sido evitado por qualquer um dos dois. Tanto pelo motorista, por estar, acredito, rápido, quanto - e principalmente - pelo pivete, que deve ter esquecido a vozinha da mãe dizendo "olha pros dois lados antes de atravessar" em algum canto do cérebro e resolveu confiar no motorista.

Logo aqui no Rio Grande do Sul, onde ficou comprovado que educação no trânsito é praticamente inexistente.

E o guri? Não sei. Tive de voltar correndo. Mas, até onde sei, foi levado ao hospital. Mas pode ficar tranqüilo. Ele não morreu.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Ande sempre com um Halls preto no bolso

Com toda a certeza, não vou contar nenhuma novidade. Beijo com gosto de cigarro é ruim. Não digo que é nojento, porque não é. Mas que é ruim pra caramba, isso é - bem, pelo menos pra mim.

Se a guria fuma demais, aquele gosto horrível de cinzas fica impregnado na língua. E, com o roçar daquele músculo com o teu, com toda a certeza ficará com aquela sensação horrível de "que coisa é essa?".

O cara - ou A cara - fica andando louco para ir no banheiro passar um sabonete. O gosto ruim fica ali, enchendo o saco. Tu não pára de te engasgar de vez em quando. às vezes chega a se perguntar "Por que, estúpido? Por quê?".

Tem vezes que o negócio é tão forte que a vontade vai além de lavar a boca: é de soltar o hugo mesmo. Mas isso é, até certo ponto, raro. A não ser que tu seja fresco pra caralho.

Então, se tem uma dica que eu posso dar aos leitores desse blog é: leva sempre um Halls preto no bolso. Afinal, pode ser que tu não saiba que gosto tem aquela boca. E, também, como a noite é uma criança, é uma ótima ferramenta para alimentar as preliminares.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Na pele de um mendigo por um dia

Terça-feira, 2 de dezembro de 2008. Acordo, tomo meu copo de Coca-Cola pela manhã, para acordar - café preto é para os fracos, como o Billy - e ligo meu computador. Abro o Mozilla e verifico minha conta no banco. Estou praticamente zerado.

Olho novamente para o calendário e confirmo: 2 de dezembro. Dez dias para a entrada do penúltimo cheque da produtora que fará a minha formatura. Fico apreensivo. Mas apreensivo pra caralho. Vou para o quarto e a apreensão se transforma em desespero. "Como é que vou pagar esta merda? Puta que pariu".

Em cima da cama está uma peruca, daquelas de fitas que ganhei em um casamento. Coloco-a em uma sacola e, atrás da porta, cato um boné. Penso "não acredito que farei isso" e vou para a universidade.

Desço na Unisinos e vou direto ao laboratório do centro de comunicação. Faço o que tenho que fazer - olho o orkut, o gmail e um pouco do meu msn - e abro o word. Configuro a página para ficar em paisagem e mando imprimir.

Ao chegar no local para receber as impressões encontro uma amiga. Mostro o que fiz e ela solta uma gargalhada e depois diz "Só tu, mesmo". Peguei um durex, que grudei na folha, coloquei a peruca, peguei o boné e paguei, acredito, o mico mais foda que a Unisinos já teve.

Andei por uma hora pelo centro de comunicação. Encontrei amigos e pessoas que eu não conheço. Muitos, mas muitos mesmo, de funcionários a professores, riram de mim, só porque estava com um cabelo artificial vermelho, boné na mão e um cartaz que dizia "Ajude um mendigo a pagar a formatura".

Após uma hora de caminhadas - com direito a uma guria que não conheço dizendo "vou te ajudar só por causa da tua criatividade" - sentei-me para contar quanto havia arrecadado. Não tinha objetivo nenhum. Como disse para uma amiga "Se eu arrecadar dez pila já é o suficiente". Sento-me e conto: R$ 50,30. Cinquenta reais arrecadados - a maioria em moeda - em uma hora em uma universidade. Abro um sorriso incrédulo e agradeço aos céus por ter sido ajudado. Inclusive por algumas pessoas, como o Guilherme, do D.A. de Comunicação da Unisinos, que ainda me perguntou quanto faltava para eu completar.

Muita gente achou que fiz isso de brincadeira, mas não. Poucos sabem - só alguns amigos que estiveram comigo em alguns momentos, como a Dani Bittencourt - o quão constrangido que fiquei. Meu sorriso era amarelho e a vontade de chorar, acredita, chegava de vez em quando. Porque é foda. Simples assim. É foda não se sentir humilhado quando, vestido igual a um palhaço, muitas pessoas passam por ti e, no máximo, soltam gargalhadas. É foda, também, mostrar pra todo mundo que tu tá fodido, sem grana no banco e que com a possibilidade do cheque que passaste sair voando por aí.

Porém, o constrangimento, a humilhação, foi recompensadora. Não pela quantia arrecadada - que, repito, foi muito além do que eu imaginava - mas pela solidariedade que recebi não só dos amigos - colegas e professores -, mas também de alguns desconhecidos que acreditaram, com razão, no que estava estampado em meu peito. Mais uma vez percebi que o brasileiro é solidário, é só tu mostrar que está precisando mesmo, como na arrecadação que ajudei a fazer para encaminhar aos catarinenses no sábado.

Aos que ajudaram, o meu muito obrigado. Podem ter certeza de que o dinheiro não será - nem foi - gasto com cachaça. Está no banco, esperando ser sacado pela produtora. Alguém pode perguntar se eu faria de novo. Provavelmente sim. A arrecadação foi honesta e para um uso honesto, lícito.

domingo, 30 de novembro de 2008

Orgulho de ser escoteiro

Já perdi a conta de quantas vezes eu já disse isso aqui neste blog, tão adorado pela Carol, mas eu sinto, realmente, muito orgulho de ser escoteiro. A cada fim-de-semana com a gurizada a gente, além de ensinar, aprende. E ontem, 28, os escoteiros do grupo Lídia Moschetti - o qual pertenço há quase 12 anos - me fizeram ter orgulho.

Na sexta-feira surgiu uma idéia. Fazer uma campanha de arrecadação de donativos para ajudar os catarinenses - estas iniciativas fazemos todos os anos, no início, para ajudar no inverno. Como ninguém que lê esse espaço é ignorante, sabe muito bem que Santa Catarina tá sofrendo pra caralho com as enchentes, coisa e tal, coisa que há 25 anos não ocorria - o Piero, aliás, fez uma ótima análise sobre o que está acontecendo no Estado vizinho.

Eis que ontem, então, as programações de todos os ramos - o movimento escoteiro é dividido em quatro ramos: os lobinhos, os escoteiros, os sêniores e os pioneiros - foram canceladas. Por que? Ora, bolas. Unir todas as forças para um ideal: ajudar os catarinenses.

Por incrível que pareça, fiquei muito surpreso com o que ocorreu. Fazia tempo que eu não via todo mundo junto - mas todo mundo, mesmo, de crianças a pais - procurando ajudar os mais necessitados.

Apesar da repentina idéia, todos aderiram e foram, sem reclamar - o que é muito difícil tanto nos jovens quanto nos véios hoje em dia - buscar os donativos. Percorremos dois bairros da comunidade e nos postamos no supermercado Hoffmann da Zona Sul de Porto Alegre, num calor filho-da-puta, e o que se viu foi um show de solidariedade. Pela contagem inicial, foram arrecadados cerca de 100kg de alimentos, uma cama, dois colchões, e incontáveis mudas de roupas.

Mas não foi apenas isso que a gurizada fez para me deixar orgulhoso. Todos os anos, no final do ano, ocorre o acampamento com todo o grupo para se divertir. Para conseguir baratear os custos, a gurizada vende rifas, já que parte é revertida para a taxa de inscrição. As crianças, justo as que se beneficiam, abriram mão dessa "reversão para a taxa" e solicitaram que todo o dinheiro fosse encaminhado às contas da Defesa Civil de Santa Catarina.

É por essas e outras que sinto orgulho de ser escoteiro.

***

Update - 30/11/2008, 22h12min: 290 kg de alimentos, 100 litros d'água, uma cama, dois colchões e muitas roupas.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

A menina que sobreviveu

O título deste post poderia, muito bem, ser o de um livro. A possível autora da obra? Ora, bolas, como é que tu não sabe? Só poderia ser a refém-popstar Nayara Silva - aquela que tomou um tiro na boca naquele já cansativo de discutir "Caso Eloá". Do jeito que rolam notícias sobre a nova pseudo-celebridade nacional, não duvido que tenhamos nas prateleiras das livrarias um livro e um filme - seja documentário, curta ou longametragem.

Primeiro, ela pede que o jogador feioso do Milan, Alexandre Pato, a visite Porém, como o cara é compromissado e tem muito mais o que fazer, deu uma camiseta à ela, que será emoldurada. Também visitou o Projac, deu entrevista para o Fantástico e para a Ana Maria Braga. Não bastasse isso, visitou os jogadores do Santos durante o treino do time. Isso sem comentar o advogado que pediu R$ 2 mi de indenização - se a moda pega, o Brasil se fodeueconomicamente.

Isso só pode ser falta de pauta desses repórteres, porque não dá para entender quanto destaque ela recebe. Ok, foi seqüestrada, a coitadinha. Mas será que só ela foi seqüestrada e teve um final traumatizante? E as demais pessoas que todos os dias sofrem esse tipo de atentado - ou até piores? Não merecem destaque igual ou, quem sabe, maior?

Na boa, quero mais é que essa Nayara se foda. Já saiu do hospital, mal deve se lembrar da amiga, e eu não quero saber da vida dela. Não quero saber quem vai ser o próximo namorado, nem quem será o primeiro a tirar a virgindade ali - se é que isso ainda existe naquele corpo. Agora, pode ver que não passa de uma insignificante que, em nada, mudou a vida de alguém neste mundo para receber tal tratamento.

Pelo menos não sou o único que tem se revoltado com isso. Internautas acreditam que ela quer se promover. Eu tenho certeza disso.

Mas não preciso dizer pra J.K. Rowling se cuidar. Essa de "a menina que sobreviveu" não cola, porque Harry Potter já foi "o menino que sobreviveu".

domingo, 2 de novembro de 2008

(A maioria do povo) Brasileiro é imbecil

Definitivamente, eu ando com muita raiva de muitos brasileiros. Já escrevi um texto criticando uma parcela por gostar de ver uma carniça. Mas, neste fim-de-semana, o que mais me revoltou foi a falta de reconhecimento de uma grande parte desse povo hipócrita pelos seus compatriotas.

A começar pela brincadeira babaca intitulada "Campanha para Barrichello ser o herói do Brasil". Nela, um imbecil fez uma plaquinha com os dizeres "Bate nele Rubinho que o Brasil te perdoa".

Peraí. Quem é esse mané, ou qualquer outro babaca que entrou nessa onda, para perdoar o Barrichello? O que foi que ele fez? Foi porque se tornou o segundo piloto na época do Michael Schumacher?

É nessas horas que penso que brasileiro é tudo imbecil, mesmo. Sem meias-palavras. Quem não é do meio não sabe o quão bom Rubens Barrichello é. Considero-o melhor, inclusive, que Felipe Massa.

É muito fácil dizer "mas o Massa quase ganhou o título da Fórmula 1 hoje". Fato. Só que muitos dos que hoje consideram-se entendidos nesse esporte não avaliam bem a história. Barrichello foi para a Ferrari quando Michael Schumacher estava no ápice da carreira. Uma parcela dos méritos para o alemão conquistar cinco campeonatos consecutivos da categoria máxima do automobilismo se deve ao brasileiro.

Ou será que ninguém se ligou que Schumacher só conseguiu os títulos após o brasileiro entrar para a equipe italiana?

Outros vão dizer "mas antes ele também não fez nada...". Vamos aos fatos: levar um Jordan ao pódio e ultrapassar o próprio Schumacher com um Stewart na França em 1999 - inclusive, no GP do Brasil daquele mesmo ano, a Ferrari ter solicitado para o então companheiro do Schumacher, Eddie Irvine, trancar Barrichello para que não fosse para cima do multicampeão - não é coisa para pouco. Ambos eram carros ruins e Barrichello fez um ótimo trabalho.

Enquanto isso, Felipe Massa, quando pilotou um carro ruim - um Sauber - foi demitido em um ano e, quando voltou à categoria dois anos depois, não fez nada demais. Só ficou na equipe porque um francês, Jean Todt, o manteve lá, já que a equipe suíça era equipada com motores Ferrari.

Outro fator que me fez me revoltar com essa falta de reconhecimento por parte do povo brasileiro foi com o que aconteceu no GP do Brasil de hoje. O alemão Timo Glock, da Toyota, de uma hora para outra passou de herói para vilão. Como se ele fosse culpado por não ter conseguido competir em pista úmida com pneus para piso seco.

Além disso, muitos brasileiros nas arquibancadas vaiaram Hamilton, como se ele ser campeão fosse uma coisa má, boba e feia. Vão tomar no cu. O cara foi campeão merecidíssimo e, se Felipe Massa não tivesse feito merda nas primeiras provas dessa temporada, poderia ter sido campeão.

É por isso que brasileiro tem mais é que se foder, mesmo. Bando de imbecil. Ainda mais o babaca que fez essa brincadeira estúpida e dizendo "se tu fizer isso eu te perdôo".

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Bando de carniceiros

Realmente eu não deveria me importar, mas têm certas coisas que me dão nos nervos. Principalmente quando o brasileiro, que vive reclamando que o país tá uma merda, resolve se indignar com alguma coisa que nada tem a ver com sua vida. Não sabe do que estou falando? Ora, o que foi que aconteceu na semana passada que fez todo mundo ficar na frente da televisão? Já esqueceu da Santa Eloá?

Voltando ao assunto principal: o brasileiro é muito desocupado. Se não fosse, o enterro da Santa Eloá não teria a visita de 39 mil pessoas. Trinta e nove mil pessoas foram ao enterro de uma pessoa que, pelo menos 38.900 sequer conheciam.

Além disso, também é um bando de carniceiros. Porque só assim para definir quem ficou na frente da televisão e o tempo todo dando F5 nos sites desse Brasil sem fronteira sô (by Judão) para ver como ia encerrar o caso da já citada.

Vamos deixar de ser hipócritas. Quantas pessoas, diariamente, são mantidas como reféns e a imprensa não cobre? Quantas, aliás, são as crianças que passam anos e anos sendo estupradas pelos pais e a mídia não divulga? Quantas são as menininhas que são obrigadas a se prostituir e que alguém já foi lá pra pagar pelos seus serviços? Elas não sofrem? Sofrem. E o povão dá bola? Provavelmente não.

Só vai dar bola quando a imprensa mostrar que elas existem. Aí vai meio mundo, inclusive artistas, dizer que isso é feio, bobo e chato. Se ela morrer, então, é capaz até das autoridades que não fazem porra nenhuma em seus gabinetes dizer que vão fazer algo - tipo João Hélio, sabe?
Mas, enquanto a imprensa não mostrar, ninguém vai dar bola. Vai virar a cara e dizer que isso é tão comum quanto guri bater punheta.

O Felipe Neto foi feliz quando fez este post, mostrando o quão estúpido é o brasileiro. Além disso, tirou tudo o que eu ia escrever neste espaço. Cretino. Foi mais rápido que eu.

Só que brasileiro é apenas carniceiro. Se revolta apenas com o que a página da polícia diz. Porque é incrível como não se mobilizam para tirar do poder esse bando de filho da puta. Se 39 mil se mobilizaram para ir no enterro de uma desconhecida, imagina o poder que teriam 10% destes em Brasília, por exemplo? Ou na porta do governo de seu respectivo Estado?

Mas não. Isso não importa. Não importa o que acontece com um bando de cretino que pode mudar a minha vida ou a daqueles que se sensibilizaram com a Santa.

Digo e repito: bando de desocupados e bando de carniceiros.

***

P.s1:Não falei da tal Nayara, praticamente uma apóstola da Santa Eloá. Não falei porque não respeito uma pessoa que aproveita que foi "estrela" de provavelmente um próximo filme que entrará na disputa do Oscar e quer a visita do Pato. É como disse um amigo meu: pobre adora abusar.

P.s2: Já postei aqui, mas nunca é demais. Vale dar uma conferida no papel da imprensa, aos olhos do Piero Barcellos e da Cynthia Vanzella.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Pra quê ter Orkut, então?

Fico me perguntando isso toda vez que entro no referido site e visito alguns perfis desconhecidos que passaram pelo meu. O motivo deste questionamento? Ora: muitos desses visitantes têm album de fotos, vídeos e até o maldito scrapbook bloqueados. Pior, ainda, é quando te mandam recado, dizendo imaginar te conhecer e, quando tu retribui, recebe uma mensagem estilo essa: "Você não pode mandar recados para este usuário".

Entendo que alguns bloqueiam as fotos com medo de se verem em perfis falsos e difamadores. Deixam elas acessíveis apenas para quem é amigo. Só que, às vezes, esse tipo de atitude beira à imbecilidade. Digo isso porque, uma vez, ao ter retrucado em uma comunidade que, por exemplo, não tinha reconhecido uma pessoa por ela não deixar as fotos liberadas, disse "É só tu me adicionar como amigo que tu pode ver". Ora, simples assim, não é? Nem conhece a criatura, mas faz o convite para vê-la e, assim, saber se conhece ou não?

Chega a ser contraditório, porque usam esse bloqueio, mas aceitam qualquer um. Quem diz que, ao fazer isso, não será um sacana e chamára a detentora daquela foto de vadia ou o dono daquela outra de viado em algum perfil falso? Quer bloquear, bloqueia, mas seja coerente pelo menos: deixe só os amigos verem e não aceita qualquer um.

Outra questão que enche o saco são os murais de recados bloqueados. Tudo bem, tua vida não é um livro aberto e ninguém precisa ficar sabendo o que os outros estão deixando. Mas um mural de recados é justamente isso: um mural de recados. É pra todo mundo ver de qualquer jeito. "Ah, mas tem coisas ali que nem todos precisam saber porque é íntimo". Ora, se quiser falar alguma coisa mais íntima, que use o e-mail ou o MSN.

Fora aquelas pessoas que te adicionam como amigo, te mandam scrap perguntando se tu se lembra a foto do perfil é irreconhecível e têm tudo bloqueado. Dá vontade de hackear só pra mandar tomar no cu, porque é uma coisa muito chata. Tu não reconhece a criatura e quer perguntar quem é, mas tu não pode nem ao menos mandar um scrap. Será que não se ligam que nem todos têm memória de elefante?

É por isso que eu sempre digo: não quer que os outros saibam alguma coisa da tua vida, larga o Orkut de mão e fica só no msn e no e-mail. É simples e ninguém vai sentir a tua falta mesmo. Já que, segundo a desculpa de alguns "é só pra amigos", teus amigos todos têm msn e e-mail e, com toda a certeza, tu deve tê-los.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Mulher que vende o corpo é puta


Não dá para negar. Mulher que vende o corpo é puta. Os defensores do politicamente correto dirão que essas (nem sempre) belas (dependendo do lugar são) moças são "garotas de programa". Sabe como é: merecem respeito porque foi, segundo alguns entendidos, a primeira profissão do mundo. Mas como eu não sou defensor do politicamente correto e estou nem aí para as primeiras profissões - advogado e médico são, para mim, advogado e médico, e não doutores -, chamo-as de putas. Repito: quem vende o corpo é puta.

E o que dizer da então recém conhecida Caroline Miranda, a tal sobrinha em 5426384639028º grau da Gretchen, considerada a nova Rainha da Bunda no país que mais mostra bunda pelo mundo? Puta. Isso mesmo: puta. Separando as sílabas: PU-TA. Soletrando: P-U-T-A.

Ok. Vai tem gente tentando alegar que ela é uma atriz pornô. Não. Ela não é atriz pornô. É uma puta que vendeu o rabo por 500 mil para fazer um filme pornô. E há uma puta (sic) diferença entre atriz pornô e puta.

Atrizes pornô são, antes de tudo, artistas. Não são apenas mulheres que sabem fazer sexo. Elas atuam - descarto, aqui, as qualidades das interpretações - nos filmesm são artistas. Têm toda uma preparação para fazerem esse tipo de filme - como, segundo algumas pessoas, limpam e alargam o brioco para facilitar a transa. Ou seja, esse tipo de filme não pode ser feito por qualquer uma. E a sobrinha da Gretchen é qualquer uma - assim como a Gretchen, a Rita Cadillac e a Vivi Fernandes.

Ao vender o semblante de "nunca fui comida" para a Sexxxy World, a Caroline Miranda fez um papel (sic) de puta. Porque ela não quer atuar nesse tipo de filme. Quer é ganhar dinheiro com esse papo de "quero perder a virgindade com meu príncipe encantado", como se fazer pela primeira vez sexo anal não fosse perder a virgindade. E quem quer ganhar dinheiro com sexo apenas por ganhar, não por gostar da coisa, é puta e ponto final.

***

Notas (de rodapé) do editor:

1) A dita-puta, digo, dita-cuja viu que dar o cu não é fácil. E tu pode ver também. Basta clicar aqui - tem que ser logado e comprovar ser maior de 18.

2) as mulheres têm três BVs: a boca virgem - não tô falando de boquete, diga-se -, a boceta virgem e a bunda virgem - e deveriam perder as respectivas virgindades nessa ordem.

3) apesar de considerá-la uma puta, eu "desvirginava" ela.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Este sou eu

Sou um cara que todo mundo olha e pensa "Ei, um palhaço!";
Sou um cara que faz as pessoas rirem mesmo eu não estando nos meus melhores dias;
Sou apaixonado por automobilismo;
Sou apaixonado, também, por escotismo - e as pessoas podem dizer o que quiserem, continuarei nesse movimento o resto da vida;
Não gosto de ouvir em casa pagode, nem reggae, nem funk;
Não sei muito de música e não me sinto imbecil por causa disso;
Nunca namorei e não busco isso neste momento;
Não bebo e não preciso para "curtir os prazeres da vida";
Gosto de Harry Potter e de Crônicas de Nárnia;
Sou sincero pra caralho - o Piero pode provar isso;
Sou meio-tarado, meio-pervertido, porém nada exagerado;
Sou tímido pra caramba, apesar das conversas por MSN não mostrarem isso;
Sou apaixonado por jornalismo e acredito que, sim, farei a diferença nesse mundo sem mesmo trabalhar na RBS;
Não vou recusar trabalhar na RBS se ela me convidar;
Sou magro e sou feliz desse jeito;
Não gosto de estudar, mas admiro quem gosta - meu irmão é um exemplo que eu não sei seguir;
Não vou mudar como sou por causa do que as pessoas dizem;
Muito menos mudarei como sou porque as gurias dizem que eu tenho de ser diferente;
Sou assim e foda-se quem não gosta de mim.

Inspirado neste post do Piero, que se inspirou nesse post da Nathy.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Putaria polida

Por Piero Barcellos

Prezadas mentes tacanhas e pervertidas que lêem o blog do Rodrigo.

Para o desespero de alguns setores conservadores da sociedade, e principalmente para os moradores da zona sul de Porto Alegre, o escriba deste blog e eu voltamos da Unisinos no mesmo ônibus. Durante o percurso, nós dois colocamos nossos intelectos em força máxima para divagar acerca das coisas que regem este mundo, o que podemos simplificar da seguinte forma: ele tenta me convencer de que sou egoísta, egocêntrico e teimoso, e eu tento mostrar a ele o quão errado está, em qualquer situação. Afinal, ele sempre está errado. E não tente discordar de mim.

[mode Nota do Editor on] Até parece que sou tão chato assim. Esses gordos com mania de perseguição é dose. [mode Nota do Editor off]

Pois bem, durante a nossa troca de idéias, proferi um comentário acerca deste blog, que o próprio Rodrigo pediu que reproduzisse in loco as minhas palavras. Então falei exatamente o seguinte:

"Cara, quando tu escreveu o post sobre os mendigos, juro que pensei que havia putaria no meio. Mas era mais um post sério teu. Tentei achar algum casal de mendigos se comendo no meio das frases e nada. E agora tu acabou de fazer mais um post sério.

"Lamento, mas teus posts sérios não tem graça. Post bom teu é quando tem putaria, e olhe lá. Só que as tuas putarias não chegam a ser bem isso... é uma putaria de bom gosto, saudável, sabe? 'Ele tocou os cabelos dela enquanto beijava loucamente seu pescoço'. É uma putaria praticamente polida. Agora lembra quando eu intervi em um dos teus textos? Aquilo sim foi uma putaria agressiva, mas não de mau gosto. Uma putaria saudável, digamos.

"Agora... eu não gosto da tua putaria. Porque não é assim que acontece. As mulheres podem até comentar, dizer 'ai que lindo, que romântico ele passar os dedos entre os cabelos dela', mas na hora do 'vamos ver', se tu não pega de jeito e dá uns tapas na bunda, ela vai te chamar de frouxo. Não sou eu quem diz, o mundo é assim. Queria eu estar errado, mas me diz: Estou errado? É claro que não!"

Agora aguardarei as manifestações de fúria que as puritanas despejarão em minha carcaça.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

A (falsa) independência dos blogs

Uma coisa que sempre li em vários blogs que visito quando conheci esse novo meio de comunicação foi o seguinte: o bom de ser blogueiro é que somos independentes. Podemos escrever o que queremos da forma que nos der na telha. Falar bem ou mal de um produto quando quiser.

Achei a idéia o máximo. Defendia aqueles que diziam que o blog é uma nova forma de mídia que os jornalistas - e futuros - podem explorar para, assim, tornarem-se donos dos próprios narizes. Isso, segundo a idéia de muitos, faz com que a informação seja democratizada e não seja submissa ao capitalismo. Muitos blogueiros, inclusive, disseram que é mais confiável ler blog do que jornal e portais.

O motivo é sempre o mesmo: a tal independência dos blogs. Até porque todos sabemos que escrever sobre o que gostamos e da forma que queremos é ótimo.

O Piero foi no cerne da questão ao escrever este post. Nada contra fazer posts publi-editoriais. Cada um faz o que quiser com seu espaço. Se quiser vendê-lo, pois que o faça. Só que não pregue por aí que é independente e que não baixa a cabeça para os que têm dinheiro - como dizem dos meios de comunicação tradicionais.

Uma coisa é tu escrever sobre um filme, sobre um produto, ou qualquer coisa, quando quiser. Ser independente é colocar a tua opinião sobre determinado produto, mesmo quando fulano que te contrato diz "olha, quero que tu fale sobre o meu produto e pago pra isso" - tu gostando ou não. Até porque é a tua opinião que tá ali. E se ela é de que o produto é uma merda, diga isso - não necessariamente tão direto. Se fizer o contrário, sendo incoerente com o teu pensamento apenas porque foi pago, estará sendo mentiroso, não só à ti, mas àqueles que te lêem.

"Ah, mas ele tá me pagando, não posso criticar". Então, das duas, uma: ou diz que é um vendido ou não aceita a proposta. Pelo menos o teu discurso e a tua prática não serão incoerentes.

E qualquer coisa, tem os anúncios do Google. Pode ser que, com eles, compre um PlayStation pro teu filho, como o caso da Gisele Ramos, do Blog Na TV.

***

P.s.: As partes em negrito foram parte de um update após eu perceber que eu estava sendo injusto em algumas ocasiões, colocando todos no mesmo balaio.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Welcome to the Matrix

Lembrei do filme Matrix hoje a tarde. Na verdade, não lembrei. Fui lembrado. E explico porquê.

O Piero entrou em contato comigo no MSN para me passar um vídeo. Trata-se de um teaser, um chamado, um trailler, um qualquer coisa, para mostrar que, na próxima edição da Revista Void terá a entrevista que ele fez com Sérgio Mallandro - que concorre ao cargo de vereador por São Paulo com o slogan "tá na facu, vote no glu-glu".

Então eu disse à ele que já tinha visto esse vídeo, há cerca de dois meses. Foi aí que começou a discussão: segundo o Piero, o vídeo foi editado nessa quarta (11), depois de receber na mesma data o material. Ou seja, eu tive um déjà vu.

Só pode ter sido isso. Porque eu lembro muito bem de todos os detalhes do vídeo. Tanto que me surpreendi quando ele garantiu que eu tava viajando.

O pior de tudo é que não é a primeira vez que isso acontece comigo. Não freqüentemente, mas de vez em quando, eu tenho alguns déjà vus. Lógico, nunca falei pra ninguém porque aquele sentimento era, na verdade uma desconfiança. Só que, ontem, sabia que já tinha visto o vídeo, no You Tube, tão logo eu soube que ele tinha feito a entrevistado um dos meus ídolos da minha pirralhice.

Tenho certeza de que não estou ficando louco. Mas tem aquele ditado que diz "louco não se contraria". Logo, eu tive um déjà vu. Isso é fato.

Quando eu for trabalhar subirei no terraço do prédio em que trabalho e pularei para outro. Se tudo der certo, o Agente Smith não me pega e eu evito que a Matrix seja destruída.

Neo? Morpheus? Que nada! É o Rodrigo comandando a parada, procurando por uma Trinity.

sábado, 6 de setembro de 2008

A culpa é delas

Fernando, meu filho,

Eu entendo toda a raiva que tu sente por mim. Abandonei tu e tua mãe assim, logo quando vocês mais precisavam de mim. Sei que não é fácil me perdoar, mas espero que, nestas breves palavras, possa dizer porque fiz isso.

Conheci elas há cerca de sete anos. Tua mãe nunca soube de nada. Foi assim, rápido. Meus amigos me apresentaram-nas. E eu, idiota como sempre fui, pensei que seria apenas uma aventura. Eles, aliás, me garantiram que seria apenas isso: uma aventura.

Foi então que a minha vida virou de pernas para o ar. Antes, não conseguia ficar longe delas por um mês inteiro. Tentava. Dizia que não podia com elas, não podia fazer isso, porque amo vocês. Porém, ah, porém, aos poucos elas me seduziam. Uma vez por mês, depois uma vez por semana, até ter que encontrá-las todos os dias.

Preciso dizer: elas não só foram, como são demais pra mim. Não consigo viver longe delas - e nem sei se quero. Uma delas é bem perfumada. Toda vez que a vejo, não consigo deixá-la longe de mim. Preciso daquela fragrância em minhas narinas.

A outra tu já deve ter conhecido. Minha boca não quer deixá-la nunca. Precisa ser tocada por ela. Cada vez que meus lábios a encostam, sinto-me aliviado, esqueço de todos os problemas.

Mas nem por isso é bom. Elas arruinaram comigo. Detonaram a minha vida e, sem dúvida, a de vocês. Por causa delas, roubei e matei. Hoje sou um pai e um marido ausente. E Deus sabe como eu queria não tê-las encontrado.

Infelizmente, Deus não consegue cuidar de todos. Por isso estou aqui, para pagar os meus pecados. Sei que dificilmente vai querer um conselho meu, mas mesmo assim eu te dou: fique longe da cachaça e da cocaína. Por causa delas estou aqui.

Ou melhor, estava... É foda tu tentar ficar longe das drogas, dentro dessa porra de clínica de reabilitação, quando o que tu tem é um bando de filho-da-puta te vendendo em tudo o que é canto.

Enfim, se tu tá lendo essa carta é porque não tive opções. Ou a droga acabava comigo, ou eu acabava com ela: decidi dar um fim à minha vida, mas pelo menos não precisei delas. Aliás, fazia 15 dias que não as via.

Conta isso pra tua mãe.

Amo vocês.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A sina do cachorro louco

Ele é assim: baixinho, magricelo e não muito bonito. Charmoso, talvez. Isso é, pelo menos, o que as gurias dizem dele. Mas não só isso: é o que elas consideram de cara para casar, porque está sempre de braços abertos para que desabafem. O nome? Claro, não posso deixar de dizer, é Yuri. Se quiser alguém que saiba o que dizer nas horas mais difíceis, é só procurar por Yuri, o amigão.

Porém, as gurias não conhecem o outro lado dele. Não, ele não é gay - apesar de muita gente achar. O charme dele está todo no fato de ser o come-quieto. Sabe o que é isso, né? Aquele estilo mineiro, que come e não fala pra ninguém? É, ele é assim.

Mas não é só isso. É, como diz o TNT, um Cachorro Louco. Está sempre traçando mulheres casadas. Não importa a idade dela. Pode ser uma guria com 18 anos, como pode ser uma coroa enxuta com mais de 40. Não que ele goste dessas. Até fica com umas solteiras, mas normalmente é difícil de tê-las.

Por quê? Ora bolas, nunca ouviu falar naquela história de amigos são seres assexuados? Pois é, as amigas dele normalmente o taxam de ser assexuado: adoram conversar, falar dos problemas, mas nunca dar uns beijos nele. O excesso de confiança que passa para elas transformam o Yuri em um amigão pra caralho: ou seja, praticamente o ser perfeito que não merece ser imaculado pelas amigas, digamos, pecadoras.

Já que as amigas não querem, tem as que aceitam. Mas a sina dele tem sido essa: a do cachorro louco. Uma aqui, outra ali, mas nunca contando pra ninguém. Porque, como diz aquele ditado, "quem come-quieto come duas vezes". É só nenhum dos dois quererem mais do que curtição, senão a casa cai.

***

P.s.: Esse texto ficou uma merda, mas é só pra atualizar.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Escassez de pensadores

O Brasil está indo de mal a pior. Não se formam mais pensadores nesse país. Parece que querem que as pessoas não cresçam nunca intelectualmente. Vou mais além: parecem que querem que tenhamos mais peões de obra preocupados com dinheiro do que mais cidadãos com capacidade real de mudar alguma coisa nesse país.

Essa foi a conclusão após uma conversa com meu pai e meu irmão durante a tarde, enquanto tomávamos café, nesse domingo chuvoso de Porto Alegre. Tudo começou depois de eu dizer que as universidades não formam pensadores. E isso veio depois de eu começar a falar sobre a possível desregulamentação da profissão de jornalista.

Argumentos vão, argumentos vêm, e meu pai toca num assunto importante: a escola não forma mais pensadores. E, como todo mundo sabe, a escola é a base de tudo. Não adianta ensinar apenas física, biologia, matemática, química, e outras matérias, se falta a principal: a filosofia.

"Mas logo filosofia?", alguns devem estar se perguntando. Sim, filosofia. Porque a filosofia é essencial para que procuremos investigar um pouco mais sobre a vida e as condições em que vivemos. Afinal, a vida é uma filosofia pura.

Com ela, podemos questionar tudo o que nos acontece. E não aquela babaquice do "quem sou eu?" ou do "de onde eu vim?". São questões um pouco mais complexas que, infelizmente, não fomos ensinados a procurar saber mais.

Meu pai disse que a filosofia era uma matéria obrigatória até um tempo atrás. Foi implantada pela ditadura. Veja bem: pela ditadura, segundo meu pai. Logo a ditadura, que não gostava de pessoas opositoras e gostavam de, pelo menos, torturá-las.

Aí a ditadura acabou e, como todo ser que defende a democracia, diz que a filosofia não era mais necessária porque fora implantada pela ditadura. Argumento igual fazem os defensores da desregulamentação da profissão de jornalista. Dizem os ananás que "o diploma foi tornado obrigatório para tolher a liberdade de expressão". Se é por isso, se tudo o que a ditadura implantou é necessário cortar, vamos acabar com as leis trabalhistas, os benefícios para agricultores, etc.

Depois de muito conversar, vi que a minha argumentação, de que na universidade não formam pensadores, é furada. Porque não adianta, depois de velho, querer ensinar as pessoas a pensar. É uma coisa que tem que ser feita desde o fim do ensino fundamental até a conclusão do médio. Até porque a filosofia é uma disciplina complexa, tal qual a vida.

Os investimentos no ensino fundamental são de responsabilidade do Município e os do médio ficam por conta do Estado. A universidade, pelo que vejo, faz sua parte, ensinando cadeiras como essa em seus currículos - só não aprofundam porque não têm como. E os demais não investem nessa matéria por quê? Medo!

Isso mesmo: medo. Medo de formarem verdadeiros cidadãos. Medo de, de repente, verem seus eleitores não caírem mais nas aramadilhas. Medo de serem questionados o tempo todo. Medo de não aceitarmos tudo o que vir como se fosse verdade.

É por isso que, dificilmente, vemos escolas trabalhando filosofia. Pode ser chato, mas não tanto quanto matemática, física, biologia, português, e outras tantas.

O problema é que querem que permaneçamos em escassez de pensadores. Afinal, como é que poderão continuar as diversas corrupções se o Brasil for o país dos questionadores?

A política me enoja.

***


P.s.: Quero aproveitar a parabenizar meu irmão Thiago, pela conquista que teve ao se graduar como Físico pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Tu mereces isso e muito mais. Beijo mano. Te amo.

P.s.2: Quer saber os riscos de uma profissão como o jornalismo ser desregulamentada? Leia o blog do Piero e saiba mais.