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sábado, 13 de dezembro de 2008

Olhar pros dois lados é essencial

Em certas horas dou graças a Deus por assimilar algumas coisas que meus pais falavam à mim quando era criança. Uma delas, que eu esqueci apenas uma vez nestes meus 24 anos de vida, é: "ô guri, olha pros dois lados antes de atravessar a rua, senão tu vai ser atropelado". Porém, certas vezes a gente não ouve. Principalmente quando se tem menos de 15 anos.

Nessa sexta eu estava indo ao mercadinho comprar bife para poder almoçar. Mal cheguei em um terço do caminho quando ouvi um barulho que me fez ficar mais atento: pneus fritando. Depois, um estouro de uma batida e um corpo rechonchudinho voando, como se fosse uma bola de futebol. O guri se levantou um pouco, depois começou a chorar e se estirou no chão com dor na perna. Não devia ter mais do que 13 anos.

Não quero, aqui, apontar culpados. Conversei com uma amiga minha quase na madrugada e ela me disse que a culpa é sempre do motorista, porque é ele quem tem a arma e é quem tem mais condições de evitar o acidente. Será?

Pergunto isso porque eu vi, nitidamente, o guri atravessando a rua sem olhar pros lados. Estava desatento.

Peço para imaginar a seguinte situação: tu está no carro, a uma média de 60km/h, quando, do nada, surge alguém atravessando a rua. A possibilidade desse alguém ser levantado pelo teu veículo, acredito, é grande - principalmente levando-se em conta questões como a frenagem do carro ser fraca e o reflexo do condutor. Acredito ter sido isso um dos fatores que fizeram o guri ser atropelado.

Como li num estudo, "muitos (pedestres) são desatentos e confiam demais na ação do motorista para evitar atropelamentos". Ou seja, o guri pode até ter visto o carro vindo em sua direção, mas achou que o carinha ia parar para que atravessasse a rua. Ledo engano. Quase que contribuiu para uma estatística apontda pelo Guia do Programa Criança Segura, que apontou um número de 1.192 acidentes com crianças entre 05 e 14 anos.

Lógico, o motorista também teve uma parcela de culpa. A rua em que o guri foi atropelado não é duplicada e, pelo som um tanto longo de pneu derrapando, foi possível concluir que ele estava rápido demais para este tipo de estrada.

Fora que provavelmente também estava desatento, conversando ao volante, tendo em vista que estava com mais um amigo no carro. Além disso, mostrou uma puta falta de sensibilidade, pois saiu do carrinho branco logo perguntando "Ô guri, tu tá louco?", em vez de um "Cara, tu tá bem?".

Acredito que o acidente poderia ter sido evitado por qualquer um dos dois. Tanto pelo motorista, por estar, acredito, rápido, quanto - e principalmente - pelo pivete, que deve ter esquecido a vozinha da mãe dizendo "olha pros dois lados antes de atravessar" em algum canto do cérebro e resolveu confiar no motorista.

Logo aqui no Rio Grande do Sul, onde ficou comprovado que educação no trânsito é praticamente inexistente.

E o guri? Não sei. Tive de voltar correndo. Mas, até onde sei, foi levado ao hospital. Mas pode ficar tranqüilo. Ele não morreu.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Comoção popular

Eu me admiro com o fato de a população - neste caso, a gaúcha - ser tão calorosa. Está sempre pronta para ajudar o próximo. É sério. É só ver como a população está se mexendo para auxiliar na reconstrução da vida de muitas pessoas atingidas pelo tornado que resolveu fazer uma visitinha inesperada aqui no Estado.

A Defesa Civil gaúcha iniciou uma campanha de busca de donativos para que as famílias desabrigadas não passem muitas necessidades. Os gaúchos estão abrindo o coração e ajudando o próximo que necessita muito mais que ele.

Não posso deixar de aplaudir, de certa forma, essa iniciativa. Como um cara que pertence ao movimento escoteiro há 17 anos, é bom de ver que existem pessoas que ajudam aqueles que precisam.

Mas também não posso deixar de criticar algumas dessas pessoas. É fato que esse tornado avacalhou com a vida de muita gente: destruiu casas, carros, essas coisas. E cada um tem o direito de ajudar quem bem entender. Só que eu acho incrível como tem pessoas que se comovem com o que a mídia mostra, mas não olha nem pra escadaria da igreja que elas passam todos os dias.

Acredito que existam muito mais mendigos nesse Estado do que pessoas que foram desabrigadas pelo vendaval filho-da-mãe. Por que não ajudar essas pessoas também? Por que apenas dar uma de bom samaritano quando a mídia diz que é preciso ajudar?

Será que aquele mendigo ali, todo fedorento, não bebe a cachaça como uma forma de se aquecer? E o guri ali na sinaleira, que fica fazendo malabarismos para pegar uns trocados, será que ele não quer que, em vez de esmola, a gente dê comida?

[Update de última hora on]

Ok! Vale aqui um update no texto: a Izze colocou bem no comentário o fato de alguns mendigos estarem nessa situação por serem vagabundos. Isso existe, lógico, mas não dá para colocar todo mundo no mesmo balaio.

E tem o fato de muitas instituições carentes sofrerem com a falta de donativos o ano todo e pouca gente procura ajudar. A mídia não fica em cima toda hora porque isso já faz parte do cotidiano - instituições carentes sem ter o que dar a quem é por elas acolhido. Aí quando uma delas fecha as portas, um monte de gente fica falando "Ah, que pena, e ninguém ajuda os coitados".

[Update de última hora off]

São coisas que a gente não pensa. A comoção popular que a mídia faz - e tem de fazer, é fato - contribui para que a população pense um pouco na vida que tem e ajude o próximo. Porém, daqui um mês muita gente não vai mais vai se lembrar de arrecadar roupa, alimentos, cobertores, porque as famílias atingidas pelo tornado já receberam muito.

Enquanto isso, crianças e adultos continuarão morrendo de fome porque a gente passa por eles como se fossem ninguém. Já estamos acostumados com a cena e julgamos que nada podemos fazer. Como se passar em um boteco e comprar um salgado que seja não vá ajudar. A gente acha que não, mas essa ação, por mínima que seja, pode mudar a vida de muita gente. Como o caso do Sebastião.

domingo, 11 de maio de 2008

Ele está vindo

"Sai da frente", era o que todos ouviam. Nada mais. Aquele rapaz passou correndo por todos, sem se preocupar com o os demais. Numa dessas derrubou uma velhinha que passeava com seu cãozinho e nem se preocupou em dizer "desculpa, senhora!". Na verdade o que se ouviu é "Welcome to the jungle, velha cretina!".

Dobrou a primeira esquina e continuava a correr. Estava apressado, todos sabiam disso. Estava sendo perseguido. Após duas quadras, foi para a esquerda e ao atravessar a rua quase foi atropelado. Ouviu um sonoro "Quer morrer, filho da puta?". Não, ele não queria morrer. Mas se não corresse, tinha certeza, morreria ali mesmo.

Ninguém podia ajuda-lo. Ele sabia disso. Então é por isso que corria feito um atleta de 100 metros rasos – só que, em vez de 100 metros, já passava de um quilômetro. "Caralho, meu ônibus", pensou, mas não conseguiu pega-lo. Preferiu correr, pois assim iria mais rápido.

Decisão inteligente – e muito, por sinal. Nessa cidade de merda, na hora do pico, é impossível não demorar mais do que meia-hora para andar poucos quilômetros. "Essas concessionárias cretinas, que vendem carros a 48, 70 prestações. Agora qualquer pobre pode ter carro", pensava enquanto corria.

Suava frio. Sabia que estava assim. O nervosismo por causa da perseguição o fazia suar frio. Mas estava chegando em seu esconderijo. Graças a Deus, ele estava chegando naquele lugar em que estaria, finalmente, seguro.

Viu sua casa, procurou as chaves. Encontrou-as no quinto bolso de dentro do casaco que estava usando. Enquanto tentava achar a certa para abrir a porta, olhava para todos os lados. O nervosismo não fazia-o errar o buraco da fechadura. "Caralho, assim não vou conseguir. Vamo, merda, vamo!".

Enfim, conseguiu. Subiu as escadas correndo, dobrou à direita e, depois, entrou na primeira porta à esquerda. Olhou para os lados e viu que estava seguro. Levantou a tampa da privada, baixou as calças e as cuecas, sentou-se e disse "Pronto, agora pode sair". E foi assim que conseguiu livrar-se da vergonha de ser pego na rua todo cagado.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Pobre sempre se fode

Ô seu polícia, porque que to aqui, cacete? O que eu fiz de tão ruim que fez tu me colocar sentada nessa porra de cadeira, com as mãos algemadas, enquanto vejo essa tua cara feia? E pára de soltar fumaça de cigarro na minha cara, caralho. Pensa que é o que? Só porque tem fardinha e passou em concurso público acha que pode fazer isso comigo?

Sério, o que fiz de tão ruim? Estou aqui só por causa do que fiz com meu filho? É isso mesmo? Poxa, seu polícia, tu não sabe onde vivo? Ah, sabe, né? Tu vai lá todos os dias, que eu sei. Diz que vai prender uns traficante, mas, na verdade, vai é cheirar um pozinho, né, seu filho da puta?

Ei, tua maldita mãe não te ensinou a não bater em mulheres?

Ô cacete, pra que bater de novo? Não bastava tu me revistar de cabo a rabo, meter a mão onde não devia, agora fica aí, todo brabinho? Tá, ta, desculpa. Eu retiro o que disse. Só me dá um cigarro pra eu desestressar.

Quanto a tua pergunta: sim, eu trancafiei meu filho dentro de casa. Acorrentado na cama pelos pés. Queria o que? Tu tem filho, né, seu polícia? Então, sabe o que é ver o dito cujo chegar todos os dias com o nariz branco de pó e os olhos vermelhos por causa da maldita maconha? Não? Com certeza a tua mulher e teu filho sabem... Ta, desculpa, só manera um pouco aí com a tua mão.

Prendi meu filho, como já ia dizendo. O guri chegava todos os dias podre de chapado em casa e só causava problemas. Roubava igual a um condenado e vendia tudo o que tínhamos. Até as minhas calcinhas ele vendeu, sabia? Eu sei que sou gostosa, mas, porra, vender minhas roupas íntimas, que ainda to pagando em prestações?

Ah! Pára com essa de clínica de reabilitação. Tentei deixar em algumas, mas é foda, viu? Tenta achar lugar nessas porra pra pobre, tenta. A gente fica noites na fila esperando conseguir lugar e o máximo que consegue ouvir é “não temos vagas, tenta em outra, minha senhora”. E já fui em várias. Inclusive fora dessa merda de cidade, mas é sempre a mesma resposta. Aliás, tudo o que é serviço publico é uma bosta. Eu tenho os meus direitos, mas eles nunca são seguidos.

Tentei fazer de tudo. Até prum diretor filho da puta dei, mas a clinica era pior que a rua: tinha droga pra tudo o que é lugar e quem vendia eram os próprios guardinhas. Ele também era todo chapadão. Vai prendê ele, seu polícia? Não, né? Claro. Ele não é pobre, eu sou. Ah! E essa clínica era cara pra cacete, por isso que fui pra cama com o gordo fedorento. E pior que nem foder ele sabe. Fui tratada como uma vagabunda.

E agora, o que vocês vão fazer? Vão me prender, né? Ok, eu entendo. Sou uma mãe filha da puta que tranca o filho pra que ele saia dessa merda de vida de drogado. Não sou nenhuma empresária de Goiás que puxa a língua da guria com alicate, nem um austríaco que tranca o filha no porão pra dar umas fodinhas. Eu leio Diário Gaúcho, sabia? Cursei até a terceira série e não sou uma monstra, sabe?

Mas agora vocês me prendem, essa tal juíza do Conselho Tutelar diz que vai tomar as medidas cabíveis, tentar colocar ele numa porra de clínica... É foda que, pra conseguir essas coisas, a gente sempre tem que se foder. Se tivessem conseguido um lugar pra ele quando pedi, nada disso teria acontecido. Mas não, nunca tem lugar, só quando a gente toma atitudes drásticas.

É como diz aquele velho ditado: pobre sempre se fode.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

O (maldito) quarto poder

Ainda vou descobrir quem foi o imbecil que soltou a pérola de que "o jornalismo é o quarto poder". Esta frase tornou-se uma maldição. É com essa desculpa que muitos veículos de comunicação fazem aquilo que a Justiça deve fazer: julgar as pessoas.

Não! Não te admires. Estou, sim, falando daquele caso da Isabela. É incrível como a imprensa começa a fazer o papel de investigador querendo mostrar, por todos os lados, que os culpados são os pais. Aliás, isso já foi feito logo um dia depois da morte da guria – que nem foi tão trágica assim, como todos adoram dizer.

A começar pelo jornal O Diário de S. Paulo, que estampou na manchete o "Pára pai! Pára pai!", acusando o pai de assassinato. No texto dizia que ele estava sendo acusado, mas a forma como a manchete foi feita já induz o leitor – que, boa parte, lê só o título para se sentir informado e ter o que discutir em um boteco para não mostrar que é um alheio ao que acontece nesse País – a querer linchar o dito cujo. Ele é o culpado? A Justiça, agora, aponta que sim, mas a imprensa apontava isso desde o início.

Isso dá razão à ela? Não! Julgar é papel da Justiça. A imprensa deve fazer aquilo a sua missão: informar com a maior precisão possível, mas sem sair julgando por aí se os depoimentos estão sendo verdadeiros ou falsos. Que deixem isso para quem sabe o que faz.

"Ah, mas, ontem, o Jornal Nacional mostrou uma matéria na qual dois especialistas alegavam que a entrevista concedida ao Fantástico foi orquestrada". É? Legal. Muito bacana isso, né? Mas isso não pode ocorrer – na minha visão, lógico. Tudo o que está sendo veiculado pela imprensa pode ser – e será – utilizado pela promotoria para mostrar o quão filhos da puta - a imprensa diz - que os pais foram ao matar uma guriazinha de cinco anos. Ou seja, já está induzindo a resposta e contribuindo para, como bem salientou o Piero Barcellos em uma de nossas conversas na volta da Universidade, a memória coletiva.

Parêntese: A memória coletiva, resumidamente falando, é aquela indução à possíveis fatos ocorridos que se tornam verdades de tanto que a imprensa falou. Por exemplo: estão dizendo que os pais da Isabella brigavam iguais a dois animais, justo na presença da guria. Muitos vizinhos podem vir, do nada, dizer "ah é, isso acontecia mesmo, estou me lembrando agora", mas pode ser que isso seja mentira. Cabe à Justiça concluir se era ou não verdade. Fecha parêntese.

Também não podemos negar o poder que a Rede Globo tem. Tudo o que ela disser é verdade – pelo menos é o que conclui a maioria das pessoas. Então, com a pergunta esúpida de um repórter da Globo feita ontem – ele fez, mais ou menos, porque não anotei, a seguinte declaração em um stand-up: "A entrevista que os acusados deram ao Fantástico é verdadeira ou foi orquestrada? Essa pergunta, só a Justiça pode responder" – já está definido na (falta de) inteligência de muitas pessoas: os pais são culpados.

O problema disso tudo é que, apesar de improvável, pode ser que os dois sejam inocentes. Uma repetição do Caso Escola Base pode estar acontecendo. E, caso a imprensa esteja errada, corrigir vai ser uma tarefa difícil – se é que ela vai corrigir, porque jornalista odeia assumir erros, a não ser que sejam por notas de rodapé em letras pequenas que ninguém lê.

***


P.s.: Vale dar uma conferida no texto que a Raquel Piegas fez em seu blog, falando sobre a mania do ser humano de querer saber das merdas que ocorrem na vida dos outros.

P.s.2: O mesmo vale para o texto da Vanessa Botega.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

O desrespeito no trânsito

Droga, tô atrasado. E que merda esse pessoal. Tudo lento. Que merda, pensam que estão aonde? Em uma passeata? Acelerem essa merda, poxa!

Que cacete isso. Sempre quando a gente tá atrasado é que vêm os problemas. A gasolina acaba, o pneu fura, as marchas resolvem dar problemas. Fora que, quando se tem uma reunião, todo mundo resolve chegar cedo e botar o papo em dia. Quem é que se dá mal nessa história? Claro, o atrasado - nesse caso, eu.

- Ô corno, olha por onde anda! - pensei em dizer praquele velho que me cortou.

Odeio velhos. Sério. É um saco. Tu tá andando por aí numa boa, um pouco apressado, como sempre, e esses "idosos" - tenho que falar politicamente correto senão serei processado - vão bem devagarinho. O pior de tudo é que não avisam que vão mudar de direção. Tu vai pra direita, eles vão também. Pensou em ir pra esquerda? Rá! Te fodeu. Eles vão também. Parece até que têm uma câmera na nuca - ou no rabo, vai saber.

Os piores são aqueles que não respeitam as sinaleiras - em alguns lugares desse país são chamadas de "semáforo". Os pedestres estão andando numa boa e, mal aquela mãozinha vermelha do "semáforo" deles acendeu, os motoristas já estão acelerando. Tudo corno. Afinal, só corno é apressado. Tá, nem todos, porque nem corno eu sou - mas estou apressado.

- Vamo, cretino, anda! - digo eu pro cara que tá na minha frente. Não gostou? Bota contra. Rá, cagão! Agora lá vou eu...

Manchete de um jornal popular que, se torceres, goteja sangue

Homem morre atropelado em Porto Alegre

Um homem, de cerca de 35 anos, morreu atropelado ontem, no Centro de Porto Alegre. O rapaz, ainda não identificado, foi atingido por um ônibus. Testemunhas dizem que ele estava com pressa e atravessou a rua quando o sinal estava verde para os motoristas.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

American Pie way of life

As pessoas são loucas, isso é fato. Eu sou uma prova disso. Mas uma coisa que eu não sabia era o seguinte: as pessoas ricas têm um quociente de loucura ainda maior. Domingo, depois de um fim-de-semana cansativo por causa de trabalho, me deparei com a notícia de que Max Mosley, presidente da FIA – a Federação Internacional de Automobilismo, responsável por, entre outras categorias, gerenciar a Fórmula 1 -, estava envolvido em um escândalo sexual.

Todos temos nossas fantasias sexuais. Alguns gostam de fingir que estão sendo tratados por enfermeiras, algumas gostam de ser "socorridas" por bombeiros, e têm os que gostam de masoquismo. É o caso do dirigente da entidade máxima do automobilismo mundial. Caso tenhas ficado com preguiça de ler o link acima, o resumo do caso: o jornal News of the World, um dos famosos tablóides ingleses sensacionalistas, publicou um vídeo em que o dito cujo estava em um motel com cinco prostitutas, espancando e sendo espancado, como se fossem judeus na era de Adolf Hitler.

Sinceramente, não sei o que as pessoas vêem de legal filmar aquilo que é para ser feito entre quatro paredes. Quer fazer coisas bizarras, que faça, mas que depois, caso vaze o vídeo gravado, não venha se fazer de vítima de conspiração: a pessoa pediu para tomar no fiofó, sem vaselina e com areia.

Isso só pode ser coisa de fã do Jim Levenstein, aquele carinha lá do American Pie, que queria mostrar uma amiga dele toda gostosona em seu quarto para os amigos e, ao tentar dar um creu, acabou passando vergonha. E olha que ele fez escola: Paris Hilton, Chris Farrel,Vágner Love e aquele guri brasileiro que gravou a brochada dele mesmo com um então casinho são alguns exemplos. Depois todos ficaram putinhos da vida por terem suas intimidades reveladas.

Pôxa, se não quer ter problemas de escândalos sexuais, que faça tuas bizarrices direito: grava e coloca em um cofre em um país distante – quem sabe não fazem um “Paraíso bizarro”, igual ao Paraíso Fiscal?

***


P.s.: Não lembras da história do American Pie? Então, vê o vídeo:

segunda-feira, 24 de março de 2008

A tortura do português

Sim! Há uma sessão de tortura. E esse crime nem mesmo o programa Linha Direta ajudará a resolver. Até porque todos conhecemos o culpado. Neste caso, os culpados. E, se formos prender todos, praticamente não haverá brasileiros nas ruas deste país.

Não, nenhum Manoel ou Joaquim foi agredido nas últimas horas. O português, neste caso, é o nosso idioma. Não entendeu bulhufas? Então, desculpa, está na hora de voltares para Marte.

É praticamente impossível saber quando este ato inescrupuloso e filho da mãe começou. Mas, o que muita gente acredita, é que foi lá por meados de 2000, com a popularização da internet. De lá para cá, o coitado do português tem sofrido horrores. A lida-maravilhosa-tchubiruba-yaiyaiyai-Mirian Bottan já mostrou uma das formas de tortura praticada por muitos brasileiros - que não compõem a temida quadrilha Internética.

Porém isso é pouco. A quadrilha Internética consegue fazer pior. Para isso, utiliza das mais malévolas ferramentas, também popularmente conhecidas como MSN e Orkut. Entre as terríveis situações que o português tem sido obrigado a passar estão a dificuldade em saber a diferença entre mas e mais, e como falar/escrever certo - como é o caso do pobrema, do encomodar e do geito.

O bom é que as pessoas que cometem este tipo de delito têm correção: basta freqüentarem - de novo, em alguns casos - a escola e, pronto, a ressocialização, tão buscada pelo poder público, estará feita.

O problema - viste como se escreve? - está em quem pratica um dos piores crimes já feitos pela humanidade. Não estou falando de estupro e pedofilia. Estou falando da miguxeilização da língua. Está cada vez mais difícil encontrar pessoas que falem assim em vez de aXiM. Essas pessoas não têm como serem devolvidas à sociedade: merecem pena de morte - porque a prisão perpétua gasta muito dinheiro público.

Enquanto o poder público não faz a sua parte, que é a de educar os cidadãos, o nosso pobre português continuará sendo torturado. Se a Quadrilha MiGuXÊiS não for desbaratada logo, aí sim teremos um crime (muito do) hediondo: o assassinato do português.

Está na hora de fazermos a nossa parte. Vamos prender essa quadrilha o quanto antes. Senão, daqui a pouco, seremos o refém dessa nova ideologia maldita.

sábado, 22 de março de 2008

Falta de sensibilidade?

Nesta madrugada fiz-me esta pergunta que consta no título e ainda não cheguei a uma resposta. Por isso, quero saber a tua opinião a partir dos relatos que virão nas próximas linhas.

Saí do banho por volta das duas da manhã – estava me preparando para ver os treinos classificatórios da Fórmula 1, nos quais o brasileiro Felipe Massa conquistou a pole-position. A luz da sala estava apagada, pois, normalmente, quando não tem ninguém aqui a gente procura economizar luz. Ah, a televisão também estava desligada.

Quando volto, ligo a luz e ouço um assovio na rua. Vou até a janela da casa e, próximo às grades do muro, vejo um vulto. O susto foi tão grande porque o meu rotweiller só percebeu a presença após o assovio – e, normalmente, os cães de guarda já estão atentos e pressentem a aproximação de alguém lá longe. Eis que a PNI – pessoa não-identificada – manifesta-se: “Eu só quero dar uma palavrinha, é rapidinho”.

Abri a porta e dirigi-me ao portão. Não teria muito o que acontecer, pois a chave estava dentro de casa. O Bob Esponja – nome do meu rotweiller – não pára de pular e eu tenho de segurá-lo pela coleira para ouvir o que a pessoa tinha dizer. Não consigo reproduzir o diálogo de forma fidedigna, mas lembro-me mais ou menos do contexto. Era algo assim – não se preocupa com o português, ok?:

“Oi, tudo bem? Tu foi o único a me atender. Eu sou negro, mas sou de bem. Mas se tu quiser, pode ligar para a polícia pra me prender. Também não quero muita coisa. Moro aqui na Atílio Superti, certo, e pode chamar teus amigos pra me bater, se quiser. Não me preocupo com isso, já tô acostumado”.

Esse excesso de explicação já estava dando-me nos nervos e vi-me obrigado a apressar o monólogo, porque já era tarde e eu queria voltar para ver o início da Fórmula 1. Quando eu disse “o que quer?” ele prosseguiu: “É o seguinte: minha filha tá mal e preciso levar ela ao hospital. Se quiser, pode ir comigo, ela tá ali na esquina. Ela precisa de tratamento. Então, preciso de dois vales-transportes.”

Fui direto e disse: “Cara, eu uso passagem escolar, não tenho como te ajudar”. O rapaz, simplesmente, fechou a cara e foi dar continuidade aos seus pedidos nas demais casas.

Após esta cena, comecei perguntar a mim mesmo se eu estava perdendo a sensibilidade ou se, então, estava apenas pensando em minha segurança. O que será?

terça-feira, 4 de março de 2008

Imbecilidades da vida

A vida é cheia de surpresas. São divididas, normalmente, entre surpresas boas e ruins. Mas não só de surpresas é que vive a vida – bonito isso; juro que não li num livro. Também é feita – isso é melhor do que “vive” – de imbecilidades. Isso mesmo. Imbecilidade: palavrinha de 12 letras e seis sílabas, derivada da “imbecil” que quer dizer justamente isso que entendeste.

Ah! Desculpe. Estou tão empolgado falando sobre imbecilidade que nem contextualizei o assunto. Aqui vai. Li essa notícia na Zero Hora desta terça-feira – versão impressa que consta no site – e fiquei com essa sensação: como tem gente imbecil nessa vida.

Não lembro de já ter discutido o assunto nesse blog – e estou com preguiça de procurar para ver se estou equivocado -, por isso vale, antes de meter porrada, deixar-te a par do meu pensamento.

Sou contra e a favor das cotas nas universidades e em concursos públicos. Isso. Contra e a favor. Pode soar contraditório de início, mas na próxima frase verás que não é. Sou contra a cota racial e a favor da cota social. O motivo é simples. A primeira, leigamente falando, pressupõe que todo negro é incapaz de concorrer contra os demais enquanto que, a segunda – a que considero correta – nivela a discussão, pondo brancos e negros na mesma linha: podem não fazer frente aos demais devido à péssima qualidade do ensino público no Brasil.

É certo que tem todo aquele esquema: a maioria dos negros está situada nas ditas classes sem condições de arcar com os custos de um ensino particular – normalmente de ótima qualidade. O que não pode ser feito é dizer que todos os negros têm esse problema. É de conhecimento de todos que existem muitos negros com dinheiro e condições de pagar, sim, uma faculdade particular. Para mim, a destinação de cotas somente para negros é uma mera desculpa cultural – e discriminatória – do que por realidade. E não venha com aquele papinho de “nos Estados Unidos existe” porque a nossa vida é muito diferente de lá.

Também vale destacar o que já disse no parágrafo anterior ao anterior – hoje eu tô que tô: as cotas sociais são necessárias, pois muitos brancos estão situados nas classes incapazes de arcar com os custos de um ensino particular. Por isso não considero essa medida discriminatória.

Agora, vamos à martelada na cabeça. Como deves ter lido na matéria, os calouros cotistas foram recebidos com a mensagem de “Bem vindos cotistas”. Tirando o erro gramatical – a falta do hífen entre o “bem” e o “vindos” -, outro que vi foi neste trecho da matéria:

Os contrários à reserva de vagas não gostaram de ler no muro do Centro de Convivência do Campus do Vale a inscrição "Bem-vindos cotistas". Alegaram que a mensagem, pintada num local usado democraticamente por todos estudantes, era uma discriminação aos não-cotistas.


Ficou meio estranho isso. Quem disse que a mensagem pode não ter sido feito por contrários às cotas? Quem sabe umas “boas-vindas” irônicas, do tipo “só estás aqui porque é cotista”? Isso não saberemos, porque nós, seres humanos, além de imbecis, somos covardes – e muito.

O que considerei da mensagem? Como o título dessa postagem diz: uma imbecilidade. Para mim, aquilo foi escrito por pessoas contrárias à medida da UFRGS e resolveram discriminar os que ingressaram por isso. Mas isso foi o que entendi. Pode ser que eu esteja errado.

Agora, paciência se existe cotas e não és favorável. Quem disse que temos de ter tudo o que queremos? Papai? Mamãe? Minha mãe diz que sou bonito até hoje e nem por isso ela tem razão. Viu como não temos tudo o que queremos?

domingo, 2 de março de 2008

Ser solteiro tem seus lados negativos

Quem me conhece sabe: adoro ser solteiro. O fato de não ter de ligar todos os dias, a cada uma hora, para a namorada dizendo que está bem e que não está com outra é uma maravilha. Além de não gastar cartão, economiza a saliva, pois não é necessário argumentar que aquela guria berrando no celular é a tua prima distante que tu não vê há cinco anos.

Mas, porém, contudo, todavia, ontem tive de repensar alguns conceitos. Ser solteiro não é tão maravilha assim.

Ontem fui à formatura de uma amigona minha da faculdade. Após a cerimônia, fomos à festinha dela, coisa e tal. A festa foi legal, coisa e tal, tirando o fato de eu ser o único solteiro. E foi um saco.

Explico. De que adianta tu seres um cara divertido se teus (poucos) amigos (na festa) estão todos com seus amores? E de que adianta, também, seres um louco, mas não conhecer ninguém e, com isso, não te divertires como sempre fazes nas festas em que a maioria dos teus amigos estão lá?

Pois é, ontem me senti só. Sério. Solito da vida. Os meus amigos lá, divertindo-se com seus amores, e eu lá, socado em um canto. Foi então que percebi: ser solteiro tem, sim, seus lados negativos.

Não apenas esse fato de não ter com quem curtir na festa, igual aos outros malditos casais fazem. Mas porque, também, deve ser legal curtires um pouco à noite com uma pessoa bacana, sair da mesmice de ficar o tempo todo na internet na madrugada fingindo que está fazendo o trabalho de conclusão de curso. =D

Portanto, certifica-te de três coisas quando fores à uma formatura: 1) Se és o único ser solteiro; 2) Se conheces mais do que aqueles casaizinhos da faculdade; 3) se tens carteira de habilitação. Sim! Carteira de habilitação. Porque pior do que segurar vela, só ter que ficar mendigando carona para ir até um pedaço do caminho para, assim, economizar no táxi. E se a festa for em outra cidade, então, nem se fala.

No mais, parabéns à Elisandra Duarte, Rodrigo Mallmann, Giuliano Pacheco, entre outros grandes amigos meus que saíram dessa para uma maior. Não! Eles não morreram - e eu não daria os parabéns pra eles se fosse o caso, né? -, apenas tornaram-se o que serei no próximo ano: um jornalista.

***


P.s.: Se tu também curtes automobilismo, não deixe de passar no blog Auto RS, meu espaço para falar só de automobilismo.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Disputa acirrada

Negra, cabelos da cor da sua pele, lisos graças à chapinha e cortados um pouco abaixo das orelhas. A franja é quase de emo: um lado curto e o outro que esconde um dos olhos, tão negros quanto sua etnia. O nariz pequeno, empinadinho, contrasta com os lábios carnudos com batom vermelho. Usa um casaquinho de couro aberto até a altura dos seios, que estão cobertos com um top amarelo. A barriguinha, meu deus, é retinha e o umbigo possui um piercing prateado que dá vontade de coloca-lo na boca para brincar, como se fosse outra coisa. Cabeça poluída minha, mas o que importa, ela é maravilhosa. Vou continuar a descreve-la, e se não quiser saber como ela é, faça uma coisa simples: sai daqui.

Se já estás aqui é porque queres continuar, assim como eu quero continuar a descreve-la. A demônia que me fez estar aqui. Demônia maravilhosa, com uma cinturinha fina e um quadril fenomenal, grosso como suas coxas. Está usando um shortinho minúsculo, da mesma cor que seu casaquinho de couro: preto que parece azul, de tão preto. Riahnna? Não, apenas uma sósia perfeita dela.

Seus braços estão erguidos, como se formassem um Y na dança que o Village People faz para a música “YMCA”. Em cada uma das mãos um pequeno lenço branco. Hesito olhar para o lado. Não quero ver quem é o maldito que ousa desafiar-me. Demônia maravilhosa.

Antes que baixe os braços, olho para o retrovisor. Nele está pendurado um par de dados vermelhos dado pela minha namorada, que está aqui comigo. Ela adora isso e me dá a maior força. Quando saio vitorioso, passamos horas e horas exercitando-nos. Sim. É isso mesmo que estás pensando.

A demônia negra baixa os braços. Piso fundo no acelerador e logo troco para a primeira marcha. “Shut up and drive”, minha namorada sussurra no meu ouvido. Ela sabe o quanto gosto dessa música – principalmente quando estamos na cama. Meus amigos, que também estão juntos nessa, apenas dizem “Acelera essa merda!”.

O volante treme, o velocímetro logo começa a bater nos 270 quilômetros. “Cento e dez, 120, 160, só pra ver até quando o motor agüenta”? Humberto Gessinger não sabe merda nenhuma sobre possantes. Morra na Infinita Highway, pentelho. O cheiro da borracha dos pneus traseiros – meu carro é de tração traseira, mane – logo vem ao meu nariz, aumentando cada vez mais a minha adrenalina.

Segunda marcha, terceira, quarta, quinta. “É isso, caralho! Manda ver nessa merda!”, gritam meus amigos. “Tu consegues”, diz a minha namorada, com a mão perto da minha virilha.

Estamos lado-a-lado. O filho da mãe que ousou me desafiar vai perder essa porra. Com toda a certeza. De que adianta carro caro se não sabe transforma-lo em uma máquina? Plaboy estúpido de merda. Haha, se fodeu. E ainda vai perder o carro pra mim, assim como todos os seus amiguinhos. Manezão.

Dobro à esquerda, nossos carros deslizam juntos e ele quase me joga contra a parede. Problema é dele. Vai se ferrar na próxima, porque é uma curva fechada pra direita, e continuamos um ao lado do outro.

Pronto. Ele tomou e se fodeu. Agora está atrás de mim. Quem é que vai ganhar, filho da puta? Quem? “Tu, porra!”, dizem meus amigos. Ficam felizes, esses escrotos. Mesmo assim, curto esses caras.

O carro está tão rápido que, na lomba – “ladeira”, como dizem alguns amigos meus de outros estados – dá um salto. Maravilha. A hora em que ele cai de bico, sobre a suspensão dianteira, fazendo tudo mexer como se tivesse tomado um soco é excitante.

Olho pro retrovisor e o filho da mãe não está lá. Cacete, está do meu lado. Não dá nada, vou vence-lo de qualquer jeito. Ele é um merdinha e eu sou o mais procurado dessa porra de vida.

A linha de chegada está logo ali, demarcada por um risco de fogo. Isso é show, cara. Tu não sabe como é foda passar o carro por cima dessa linha. Lógico que não queima, mas é foda de qualquer jeito.

Cacete, o que é isso? O que esse ônibus escolar faz aqui? Isso é hora? Consigo desviar, mas meu carro sai muito de traseira devido ao toque direto no freio, bem fundo. O carro que estava logo atrás do ônibus não consegue desviar e me acerta, no lado do passageiro. Começo a capotar, mas não consigo fechar os olhos nem desgrudar as mãos da porra do volante. Sim, eu sou louco e não largo esse osso de jeito nenhum.

Outros carros continuam a bater em mim: pelo lado, pela frente, na traseira, no teto... não sei quantas batidas, só sei que foram suficientes para demolir meu carro.

Algo líquido escorre pelo meu rosto e toca a minha boca. Passo a língua e sinto o gosto: suor. Olho para os lados e para trás. Minha namorada e meus amigos estão ali, perplexos, olhos tão arregalados que parecem mortos devido a estupidez da colisão. “Ta bem, amor?”, ela diz pra mim, com a voz embargada e os olhos cheios de lágrima. Meus amigos nada dizem. Não acreditam no que aconteceu.

Não consigo pensar em mais nada. Ainda bem que tudo isso foi resultado de um cálculo mal-feito em um jogo de corridas filho da puta. Se fosse real, como é que eu estaria agora – se é que estaria aqui?

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Respeite o Mindinho


Dedos mindinhos. Coitados desses dedos, que ficam ali, em um canto, quase como se não tivessem o que fazer. Temos quatro: dois nas mãos e dois nos pés. Mindinho, mindinho. Coitados desses dedos.

Não bastassem ficarem ali, no canto, quase não têm funções. Os dedões, por exemplo, são importantíssimos para que possamos dizer aos amigos “tudo ok”. Sabes aquela vez que te perguntam “Ei, tudo certo?” e tu abres o sorrisão e diz “mas é claaaaro!”? Então, imagina se os dedões não estivessem ali, para ajudar?

Os indicadores. Ah, os indicadores. O que seriam dos bolos sem eles? Menos furados. Porque, os indicadores, além de fazer o que o nome diz – “Quer saber onde fica o Centro? É pra lá!” e aponta com o primeiro dedo ao lado do dedão -, tem a extraordinária função de fazer-nos tirar uma casquinha daquele bolo de 15 anos da nossa prima.

Já os médios não preciso nem falar, né? Serve, justamente para aquele lugar, ou chupar aquilo que nós, homens, temos, sem precisar dizer alguma coisa. Apenas a sua visualização, ereta, já diz “opa, fiz merda!”.

Os anelares, as gurias sabem essa função melhor do que nós. Quer oficializar o namoro? Lá vem elas com o dedinho anelar retinho, para que coloquemos o anel de compromisso que compramos no camelô. E elas sempre saem com o sorrisinho aberto e mostrando o anelar.

Mas e o mindinho? O que eles fazem? Praticamente nada.

Na verdade, a gente vê que eles servem para alguma coisa só quando machucamos algum deles. Os dos pés, por exemplo, é só quando a gente bate na quina de algum móvel. Serve pra gente chamar o amigo imaginário de “filho da puta”. Duvida? Bate com o dedinho na quina, bate?

E os mindinhos das mãos a mesma coisa. Passam o tempo todo sem ter o que fazer até estourarmos ele. Não por causa da dor, que não é tanta, mas é pelas funções desconhecidas dele. Ao estarem, digamos, “imobilizados”, a gente vê como trata mal dos mindinhos.

Para apertar a tecla shift do teclado é uma bosta. O mindinho é fundamental para isso. O enter, a mesma coisa. Fora quando a gente quer tirar um cotoco do nariz. Quem é que limpa o salão? Sim, o mindinho. Fora que, quando ele está detonado, a gente tem que evitar segurar uma xícara com ele. Por que? Porque beber chá, café, Nescau, com o dedo mindinho ereto, é uma falta de educação tremenda.

Aliás, falta de educação é o que demonstramos com o mindinho. Olha esse nome? “Mindinho” – em alguns casos, “minguinho”. Devido às suas heróicas funções, mudarei chamarei os meus de Magrões. E tu, trate de respeita-los.

***


P.s.1: Este é meu ultimo post dessa semana. Neste sábado estarei em uma atividade escoteira, da qual faço parte da organização, e por lá ficarei até o di 27. Além disso, será como férias, porque sairei do local de vez em quando para banhar-me no mar chocolatão de Tramandaí - só espero que as mães d'água me deixem em paz. Por isso, façam bom proveito do blog, mantenham os comentários bacanas, e bom proveito. Sei que será um saco ficar uma semana sem mim, mas são coisas da vida;

P.s.2: Quero parabenizar o meu amigo Piero Barcellos por ter sido contratado pela Revista Void. Não que isso mudará alguma coisa na minha vida, mas é sempre bacana ver os amigos se dando bem nessa vida, muitas vezes, injusta. Sucesso na empreitada.

sábado, 22 de dezembro de 2007

O meu amigo secreto...

Final de ano é uma beleza, principalmente dezembro. Além de ser o mês em que todos nos tornamos amigos de todos – inclusive daquele colega mala que mal falamos no trabalho/faculdade/etc. -, como bem lembrou Mirian Bottan, é o mês em que gastamos aquela grana que não temos em amigo secreto. Ok! Estou falando através das perspectivas de um estagiário, que não recebe 13º salário.

E a grana não vai apenas para comprar os presentes de praxe. Vai, também, para os amigos secretos – em alguns lugares desse Brasilzão sem portêra sô, troca-se o “secreto” por “oculto”. Mas não é apenas um amigo secreto. Se fores um estudante, estagiário e pratica uma outra atividade extracurricular, como escotismo, futebol, natação e blá, blá, blá, podes ter certeza que terás, pelo menos, quatro amigos secretos, pois não contei aquele da família do pai ou da mãe – quando não são de ambos.

Não que eu seja contra este tipo de comemoração. Até curto, pois gosto de ganhar presentes. Mas é que é um saco sair à procura do que dar àquela pessoa que tiraste. Sério! Eu, por exemplo, nunca sei o que dar para a sortuda – ou infeliz.

Exemplo deste ano. Neste semestre, fiz uma cadeira – em outros lugares também denominadas “matéria” ou “disciplina” – com futuros Relações Públicas. Dos cerca de 23 colegas que tive, sabia o nome de, no máximo, cinco. Não por eu ser um cara anti-social – quem me conhece sabe que não sou -, mas por sentir-me, um pouco, deslocado. Afinal, curso jornalismo e não tenho aula com estudantes de outros cursos há, pelo menos, dois anos.

Ok! Vamos continuar. No último dia de aula, a professora resolveu fazer um amigo secreto. O valor, para não doer no bolso, afinal, pagar a mensalidade da faculdade pesa, ficou estipulado em R$ 1,99. Para que ninguém ficasse sem presente, uma surpresa: tiramos a pessoa no dia. Ou seja, cerveja? Não! O presente tem de ser unissex.

Aí que veio a dificuldade. Como agradar gregos e troianos? Quero dizer, guris e gurias? E não adianta usar a estatística – desses 23 colegas, 20 eram mulheres -, pois a gente sempre corre o risco de cair naquela malha fina. Então, matutei, matutei, e, como deves ter percebido em uma certa postagem, gostaria que todos permanecêssemos com a criança que existe dentro de nós viva. A idéia veio em um minuto: vou dar um pião.

Saí a procura do bendito brinquedo. Não encontrava em lugar nenhum até que, finalmente, achei a lojinha de um bom velhinho – sempre ele. Mas o Papai Noel não vendia peças únicas: só em dúzia. “Fodeu!”, pensei. Mas aí lembrei: “Bem, eu gosto de pião, então tem um pra mim. Meu irmão também gosta, então tem um pra ele. Meus lobinhos precisam aprender que vídeo-game não é tão bom quanto parece. Quem eu tirar no amigo secreto do grupo escoteiro vai ganhar um!”. Levei a dúzia toda – por um preço bacana.

Chegou o tão esperado dia. “Tem que trazer uma mensagem de natal!”, a professora tinha pedido. Ok! Lá fui eu, de última hora, catar uma mensagem bacana que tivesse algo a ver com o presente. Entrei no blog do Alexandre Inagaki e procurei um post em que ele fala sobre como as crianças são incríveis. “Batata”, pensei, e fiz a bendita mensagem.

Alguns minutos mais tarde, foi o grande momento. Come docinho daqui, bebe refrizinho de lá, e vamos sortear os nomezinhos. “Cacete, não conheço quase ninguém! Como é que vou saber o nome das criaturas? To fodido!”, pensei. Mas a professora, brilhante só como ela, deu um help: a gente teve de colocar as nossas mensagens dentro de um saquinho e, quem pegasse a nossa, era o (in)felizardo.

A primeira que botou a mão no saco – sem pornografia, ô mente suja – tirou a minha mensagem. Só que, não sei por que cargas d’água, ela não leu. Fui lá, dei meu presente pra ela e... “Bah, minha sobrinha vai adorar!”. Um balde de água fria. Fiquei com uma cara de tacho e pensei, naquele momento, que ela era uma pessoa insensível, pois não entendeu o recado. Depois percebi que fiz merda.

Merda por não perceber que as coisas não são como a gente quer. Que nem todos vão gostar daquilo que damos. Que eu, diversas vezes, também achei o presente que ganhei uma bosta – alguns por não serem do meu agrado, outros por ser usado mesmo.

Esse é apenas um exemplo de um amigo secreto – ou oculto – catastrófico. Têm aqueles em que a gente tira a pessoa que não gostamos e que, na hora de descrevê-las aos demais – nessas horas todos viram crianças e querem brincar de advinha -, temos de usar todo o nosso cinismo e dizer “ela é ótima de trabalhar” ou “espero que a nossa amizade cresça cada vez mais”.

Não sei quem foi que inventou o amigo. Talvez tenha sido uma família muito bem entrosada que juntou a nora na brincadeira - e que se separou do marido, introduzinhod essa brincadeira na família dela e assim foi indo, como essas correntes malditas do orkut. Ou vai ver foi algum dono de loja de R$ 1,99 que queria vender mais e inventou essa data. Vai saber.

***

P.s.: Esse texto não foi revisado. Se encontrares algum erro, dê um tempo: é Natal! ;)

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Piada pronta

BUEMBA! BUEMBA! BUEMBA! Aos 21 dias de abril de 1.500 o Brasil é "descoberto" por um português chamado Pedro Álvares Cabral. Não sei há quantos 400 e tantos anos depois, mas por volta de 1900 e lá vai pedrada o colunista José Simão fez outra importante e relevantíssima descoberta: o Brasil não é apenas o país do futebol; é, também, o país da piada pronta. Mas não daquelas engraçadas, das quais a gente ri sem parar. Sim, daquelas sem-graça, que te fazem ficar constrangidos tanto de contar como de ouvir.

Duvida? Atente há dois pequenos casos e, depois, à conclusão desta pseudo-tese deste que vos escreve - a parte de cima pode ser caracterizada como a introdução ao tema.

Caso 1

Há uma semana, o assaltante-que-não-é-mais-pivete Rodrigo Carvalho Cruz - sempre tem alguém pra estragar esse nome tão bonito - provocou a morte do italiano Giorgio Morassi.

Neste início de madrugada, no Jornal da Globo, vi que o "Tico" - como é conhecido o estragador de nomes bonitos -entregou-se à polícia após dar uma palavrinha com Deus. Segundo o intermediador do papo divino, Pastor Isaías da Silva Andrade, da Igreja Assembléia de Deus, o estraga-nomes estava com o diabo no corpo.

Caso 2

Após constatada a morte do italiano - que veio ao Brasil celebrar o casamento do irmão, que ocorreria no sábado, se ele não tivesse sido atropelado por um ônibus após reagir a um assalto (nossa, como isso aqui ficou longo. Prometo tentar, da próxima vez, que essas complementações textuais não fiquei tão grandes quanto esta, ok? Juro por Deus... mas não esse da Assembléia) - a P-U-L-I-CECEDRILHA-A - PULIÇA, OTORIDADE resolveu ir em busca do pivetão-que-me-deixa-frustrado-por-ter-um-nome-igual-ao-meu.

Detalhe: não ficou atrás do maledeto um dia. Foi atrás durante seis dias, mi bambino(a).

Conclusão

Os casos citados acima reforçam a definição de José Simão para o Brasil. Este país é, sim, o da piada pronta.

A primeira ocorre não apenas pelo fato de, hoje, é só pedir auxílio da Igreja para tentar reverter a ême-pontinhos que fez. Não bastasse as mulheres poderem usar a desculpa de que estão com TPM para poder tirar as nossas vidas, esses pseudo-pastores vêm à televisão falar essas ême-pontinhos como se todos fôssemos acreditar.

A segunda, por sua vez, reforça o que o Capitão Nascimento disse em uma das passagens do filme Tropa de Elite, zero-dois: "Em enterro de playboy sempre tem manifestação; em de polícia não" (algo desse tipo). Lógico, é necessário adaptar a afirmação para ilustrar esse caso: "Quando um rico, principalmente se for estrangeiro, for assassinado, a polícia sempre vai subir o morro pra procurar o bandido; quando morre um brasileiro de classe média pra baixo, não".

Imagina quantos Rodrigos de apelidos de genitália masculina deixaram de ir à prisão por causa dessa negligência da segurança pública aliada à impunidade?

[mode Macaco Simão ON]
"É mole? É mole, mas sobe. Ou como diz aquele outro: é mole, mas se provocar, ressuscita!"
[mode Macaco Simão OFF]