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domingo, 14 de dezembro de 2008

Quinze minutos

Era um dia como qualquer outro. Acordou, levantou-se, olhou para os remédios em cima da cômoda e soltou um "puta merda". Fazia tempo que não fazia o tratamento adequado para os seus problemas de saúde, mas não estava nem aí: queria viver a vida da melhor forma possível. Para ele, isso seria sem tratamento.

Foi ao banheiro, tomou um banho, e se arrumou. Olhou para a cama e a mulher ainda dormia. Deu um beijo em sua testa e não disse nada. Voltaria a casa dali algumas horas.

Durante a caminhada lembrou-se do que mais amava na vida, além de sua família: a lida com cavalos. Quando era criança, não largava o que tinha na chácara da família. Estava sempre montado na Zefa, uma bela potranca negra - e não era funkeira, porque funk ainda não existia naquela época.

Ao chegar no prado de seu amigo, impossível evitar o sorriso. "Como é lindo isso aqui", disse à si mesmo. Cumprimentou Carlinhos, seu amigo de longa época, e foi tratar do Amadeus, um cavalo crioulo branco que adotou, sem falar com a família.

Enquanto ia em direção ao seu novo filho, recordou-se das intensas brigas que tivera em casa. Não falara à ninguém porque, a cada mês, uma boa parte do salário faltava. As brigas eram intensas e ele evitava falar sobre isso. Investia aquela irrisória quantia no tratamento do Amadeus. "Vocês não entenderiam", cansava de repetir, pois sabia que seus familiares não apoiariam a idéia de fazer esforço físico com sua saúde tão debilitada.

Olhou Amadeus e, como sempre, deu um beijo em sua face. O cavalo retribuiu com um relincho suave. Montou no cavalo e foi dar uma galopadinha básica, só para aquecer.

Após 15 minutos, um estrondo. O montador estava estatelado no chão, com Amadeus parado ao seu lado. Os que estavam o prado foram socorrê-lo, mas foi impossível salvá-lo. Seu coração parara de bater, mas seu sorriso não saíra do rosto.

Sabia que havia pouco tempo de vida. Resolveu vivê-la intensamente, mesmo que durasse apenas 15 minutos.

Texto em homenagem ao seu Lauro, marido da Iolanda, nossa empregada e amiga, que faleceu neste sábado após fazer o que mais amava: estar próximo aos cavalos. Que Lauro descanse em paz.

domingo, 30 de novembro de 2008

McDonald's

Chegou cansado. Após um dia inteiro de trabalho, abriu a porta de casa, já tirando o paletó. Percebeu o suor escorrendo suas costas. “Maldito calor! Maldito trabalho”, esbravejou. Calou-se rapidamente, até perceber que estava sozinho em casa – aliás, morava sozinho há uns bons três meses.

“Banho! Preciso de um banho para relaxar!”, pensou ele. Estava apreensivo. Na verdade, estava ansioso. “Será que ela vai ligar?”, “Será que ela está bem?” e “Será que sairemos neste fim-de-semana” eram alguns dos pensamentos que martelavam em sua cabeça nos últimos três dias.

Vira a guria em uma festa. Já a conhecia. Era a amiga de uma amiga dele. Trocavam mensagens esporádicas por msn e orkut. Enfim, encontraram-se na festa. Ambos achavam que não seria nada demais. Estavam ali, solteiros, livres e desimpedidos. Sem mais delongas: ficaram naquela festa, mas por pouco tempo. Ele precisava ir embora, pois no outro dia tinha que trabalhar. “Profissãozinha filho-da-puta que escolhi, hein?”, dizia à si enquanto voltava para casa.

No outro dia, não conseguiu trabalhar direito. A cabeça continuava nela. Apenas nela. Só nela. “Caralho, é só ela que tem nesse mundo?”, pensou. Abriu o msn e lá estava uma mensagem da dita cuja:

Fulaninha diz:
Oi! Sei que parece ser rápido demais, mas eu queria te ver de novo. Meu telefone está em depoimento no teu orkut. Beijo

“Caralho! Ela me mandou uma mensagem! Ela me deu o telefone! Ela quer me ver!”. Não é preciso ser muito gênio para ver que ele ficou abobalhado. Ligou para a guria e combinaram de se encontrar. No dia, mais uns beijos, mas de novo tinham de interromper o namorico por causa de compromissos. “A gente conversa e combina de se ver de novo”, um disse ao outro, ao mesmo tempo. Sim! Ambos estavam a fim.

Passou um dia e nada. Passou outro dia, ele ligou, conversaram, e ficaram de combinar mais tarde o horário, pois ela estava ocupada. Passou o terceiro dia e, novamente, nada. O quarto, o quinto, o sexto. “É melhor dar um tempo para não apressar as coisas e não fazer merda”, disse-lhe um amigo. É verdade. Nada melhor que dar tempo ao tempo. Tudo vai acontecer na hora que tiver de acontecer e da maneira certa.

Mais um dia e nada. Outro, e outro, e outro...

Chegou cansado. Após um dia inteiro de trabalho, abriu a porta de casa, já tirando o paletó. Percebeu o suor escorrendo suas costas. “Maldito calor! Maldito trabalho”, esbravejou. Calou-se rapidamente, até perceber que estava sozinho em casa – aliás, morava sozinho há uns bons três meses.

Após um longo e relaxante banho, colocou a cueca e foi ao computador. Abriu o msn e nada. Então, fez o que até o momento não imaginava fazer novamente: pegou o telefone e ligou.

“Oi, vai fazer o que hoje?”, disse ele.
“Até o momento, nada. Alguma idéia?”, ela retrucou do outro lado da linha.
“Podemos conversar?”.
“Ué, mas tu não ta ficando com a tal guria da festa?”.
“Nem sei mais. Posso ir aí?”.
“Pode...”.

Levantou-se, vestiu-se e pegou a chave do carro. Antes de sair, viu o estoque de camisinha. “Tá. Tem bastante pra hoje”, e foi ao encontro de sua ex. Cansou de esperar e lembrou-se daquele ditado de que “ex é igual a McDonald’s: a gente diz que não quer, mas come de vez em quando”.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Memórias d'uma mente necessitada de atenção

ntosImbecis. Isso é o que todos os homens que já quiseram algo comigo são: imbecis. Vêem em mim apenas uma carne em que encontram num açougue e querem comer. Não dá para negar que sou de primeira, mas não sou uma carne.

Meus cabelos loiros, meus olhos verdes claros, meus lábios carnudos, minhas coxas e meus peitos siliconados fazem qualquer um perder a cabeça. Os jogadores de futebol me desejam, eu sei, mas eu não os quero. Eles só querem me levar para cama e dizer que comeram "aquela loirinha que vai sempre nos treinos", e eu sou mais do que isso. Muito mais. Eu sou uma lady. Não, não uma lady: sou uma diva.

Mas não vou falar dos jogadores de futebol. Eles têm grana, o que compensa a foda. O problema é aquele guri babaca que fica sempre me trovando. Sério, ele tá sempre me trovando. É incrível como ele não se dá conta de que não quero nada.

Outro dia me ligou. Disse algumas besteiras, como que remédio eu tomo, porque sou louca, coisa e tal e depois desligou. Eu sei que ele me quer, me deseja. E não só para comer. Ele quer namoro - mas com ele não quero.

Como eu sabia que me desejava, liguei. Sim! Ele me deseja! Ele me quer. E não só para comer. Ficamos três horas no telefone. Dizia que estava cansado e que não queria nada comigo, mas eu sabia que queria, então fiz ficar conversando comigo até às 5 da manhã.

Não, o safado não me engana. Eu sei que ele me quer. Que me deseja. Aliás, todos me desejam. Mas ele mais. Muito mais.

No outro dia vi ele no msn e resolvi conversar. Dizia que não queria, que não gostava de mim, mas eu duvido muito. Certo momento ele disse que ia me bloquear. Era só o que faltava, me bloquear. Pensa que me engana, o safadinho. O problema é que ele está offline até agora, e faz dias que está assim.

Antes de sair ele disse que ia mandar um print screen pra sessão de "flagras do msn", do Jacaré Banguela. Mas eu duvido muito. Ele não faria isso comigo. Porque me quer, me deseja. E cara nenhum que deseja uma beldade como eu faria isso. Mas se ele fizer, que se prepare: tenho tudo o que ele escreveu salvo no meu histórico - é claro, dei umas mudadinhas, mas tudo inocente - e vou processá-lo.

Esses caras. Não sabem com quem tão lidando.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Relação conturbada

Vem cá, vamos conversar. Eu preciso te dizer muitas coisas, mas não sei como começar. É foda dizer isso, mas é necessário. Espero que compreenda.

Está sendo muito difícil para mim conviver contigo. Não me sinto a vontade. Em tudo o que é lugar tu está lá, me enchendo o saco, insistindo para que eu não me divirta. Não posso beber, não posso fazer nada.

Há quanto tempo estamos juntos? A, pelo menos, seis meses, não? É muito tempo. Não consigo lidar com isso. Principalmente sempre em cima de mim, no meu pé.

Eu preciso disso. Preciso sair para me divertir, preciso liberar o stress que essa relação me dá. Preciso fazer muitas coisas, mas tu não deixa. Não sei se percebeu, mas tu só me atrapalha. Me consome muito tempo, e eu não gosto de perder tempo. Tu sabe disso.

Quando acordo, quando vou estudar, até quando vou dormir tu me persegue. Me faz acordar na madrugada para te dar atenção. Me faz perder o fim-de-semana para não perder tudo o que investi nesse tempo. Insiste em dizer que é para o meu bem, mas preciso confessar: não acredito nisso.

Agora, eu te digo uma coisa. Três semanas e tchau. Poderia dizer isso agora, mas seria muita cachorrice - e, sim, estou sendo egoísta neste momento. Mas é só finalizar três semanas, nem isso, 16 dias, e te largo para nunca mais saber de ti.

Trabalho de Conclusão de Curso? Nunca mais. Vou é me formar e viver a minha vida de jornalista. Só vou querer outra coisa assim daqui muito tempo, quando estiver mais maduro para poder fazer um Mestrado e, quem sabe, um Doutorado. Agora, vou fazer que nem aquela musiquinha: "sai do meu pé, vai te foder".

sábado, 4 de outubro de 2008

Bate-papo

Jéssica e Fábio conversam no quarto após uma noite de muitas atividades.

Fábio: Nossa...
Jéssica: Que foi?
Fábio: Nada não.
Jéssica: Pára de mentir. Fala logo!
Fábio: Tá bom, vou falar.
Jéssica: Pois fale.
Fábio: Seguinte, a noite foi muito boa...
Jéssica: É, concordo.
Fábio: Quando te olhei lá no resutaurante da conferência não imaginava que tu era tudo isso.
Jéssica: Tudo isso? Explica, por favor?
Fábio: É que, tipo, a gente só se conhecia virtualmente. Sempre curti tua confiança...
Jéssica: E eu a tua sinceridade...
Fábio: Pois é. Imaginava que tu sabia fazer direitinho, mas não que sabia tanto.
Jéssica: Hahahahhaha! E eu sei tanto?
Fábio: Claro que sabe. E não te faz de louca, que tu sabe que sabe.
Jéssica: E o que eu sei?
Fábio: Foder, claro!
Jéssica: Uia! Já falei que tua sinceridade me excita?

Jéssica, então, dá uma leve mordida na orelha de Fábio

Fábio: Sim, já falou. Antes mesmo de virmos pra cama.
Jéssica: Ah, é! Agora, pode falar porque é que fodo tão bem assim?
Fábio: É que tu sabe o que quer e como fazer. Aquela hora que estávamos no chão, lembra?
Jéssica: Ô se lembro.
Fábio: Então. Eu estava sentado no chão e tu veio para cima de mim. Encaixou direitinho as nossas partes e começou a fazer movimentos suaves. Um dos teus peitos encaixou direitinho na minha mão e o outro sobrou na minha boca.
Jéssica: Ah, o lance da falsa magra, não é?
Fábio: É! E falsas magras, pelo que to vendo, sabem foder.
Jéssica: Tu também mostrou gostar da coisa.
Fábio: Eu gosto de foder.
Jéssica: Eu sei. E eu gostei de foder contigo.
Fábio: Percebi.

Fábio dá um leve sorriso safado...

Fábio: Mas não foi só isso.
Jéssica: O que mais?
Fábio: Tu mudou o meu conceito de boquete.
Jéssica: Nossa! Quantas diretas. Mas o que eu fiz?
Fábio: É que tu mostrou que quem domina nessas horas são vocês, mulheres...
Jéssica: Mas tu não tirava a mão da minha nuca e de acariciar meu cabelo...
Fábio: Sim. Só que tu é que me controlava. E quando me olhou fixamente, enquanto tava ali, te deliciando comigo, fiquei louco.
Jéssica: É! Isso não teve como não ver...
Fábio: Como assim?
Jéssica: Tenho certeza de que, se eu o tirasse da minha boca e mandasse tu bater na porta, a porta quebraria.
Fábio: Putz! hehehehe

Jéssica acaricia o cacete de Fábio, que estava cada vez mais excitado.

Jéssica: Mas tu também me dominou.
Fábio: Que hora?
Jéssica: Quando me chupou!
Fábio: Fazer o que se eu gosto disso?
Jéssica: Sim, mas os movimentos que tu fez entre as minhas pernas foram muito bons.
Fábio: Acredito que sim. Senão tu não teria pressionado minha cabeça contra a tua xuranha, né?
Jéssica: Hahahaha! É! Mas, me diga, onde tu aprendeu esses movimentos?
Fábio: Ah! A gente usa a criatividade...

Jéssica, que estava ao lado de Fábio, subitamente sobe sobre o corpo dele, olhando-o fixamente, e as bocas quase se tocando.

Jéssica: E que criatividade foi aquela?
Fábio: É que eu gosto de ler, e me lembrei do alfabeto.
Jéssica: Como é que é?
Fábio: É! Eu fiz o alfabeto ali.
Jéssica: Tu fez o alfabeto com a língua?
Fábio: Na verdade, não. Escrevi algumas coisas...
Jéssica: Que coisas?
Fábio: Tu sabe o que.
Jéssica: Hum?
Fábio: Pensa...

Fábio, percebendo que estava duro, encaixou em Jéssica. Continuaram o papo.

Jéssica: Algo como "Quero ficar aqui para sempre?"
Fábio: Quase.
Jéssica: Jurava que tu queria...
Fábio: Queria ficar um tempo, mas não a eternidade.
Jéssica: O que tu escreveu?
Fábio: Quem me dera ser um peixe...
Jéssica: Sério que tu pensou na música do Fagner enquanto tava me chupando?
Fábio: Sim! E agora estou aqui, dentro de ti...
Jéssica: É! Tá.

Algum tempo depois, o papo continua.

Jéssica: Nossa...
Fábio: Que foi?
Jéssica: Quero de novo!
Fábio: Ok! Mas agora é a minha vez de ficar por cima.
Jéssica: Na verdade, quero é ficar de quatro.
Fábio: De frente para o espelho?
Jéssica: É! Mas espelho é o que não falta nesse motel.
Fábio: É! Tem razão.
Jéssica: Mas eu não me importo. Pronto?
Fábio: Pronto!

Fábio agarrou os cabelos de Jéssica e começou a maratona. Foda vai, foda vem, foda vai, foda vem, e por aí vai, e por aí vem...

Fábio: Puta que pariu, já são dez horas.
Jéssica: Sério que já são dez horas.
Fábio: Sim, são.
Jéssica: Então, vamos!
Fábio: Vamos!
Jéssica: Mas, ô, Fábio...
Fábio: Fala!
Jéssica: Só não confunde o meu nome com a da tua namorada quando for comê-la.
Fábio: Não te preocupa, não tem como isso acontecer.
Jéssica: Por que?
Fábio: Porque vocês têm o mesmo nome.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Os pêsames

Gilberto viu o amigo lá, sentado no boteco, cabisbaixo. Nunca o vira tão mal assim. Antes de sentar-se ao lado, viu o carinha empinar cinco martelinhos, um atrás do outro. Não podia estar nada bem: o Carlos nunca foi de beber.

Deu um tempo e foi conversar com o coitado, que estava vestido todo de preto.

- Ô Carlos, tudo bem?
- Não! Tudzo maaaal. Maaal bra caraaaaaaaaaaaaaio - esperneou o neo-bebum.

E foi aí que Carlos falou da desgraça.

O início

Conheceram-se no MSN. Mas não foi algo assim, simples. Uma amiga resolveu apresentá-los. Afinal, tanto a fulana quanto o Carlos eram dois solteirões e estavam se recuperando dos últimos problemas amorosos.

Foram a uma lanchonete para conversar. O papo fluía normalmente quando ele, surpreendentemente, tascou um beijo. "E tu ainda se diz tímido, né? Safadinho..."

Desde o início deixaram as cartas na mesas: como ambos eram recém-saídos de namoros, o que queriam era curtição. E foi assim durante um tempo.

O envolvimento

Durante esse tempo, porém, foram se envolvendo cada vez mais. Os encontros eram mais freqüentes, os beijos mais intensos e os amassos, lógico, mais calorosos.

Em vez de encontrarem-se em lugares públicos, iam direto para os mais escondidos. Afinal, para fazer o que gostavam de fazer o tempo todo, só dessa forma. Não queriam ser presos por atentado ao pudor.

A última vez

A intensidade das ficadas foi aumentando gradativamente, ao ponto de verem-se todos os dias, na hora do almoço. Afinal, tinham de se alimentar, e cada um se deliciava com o corpo do outro.

Aquele dia, então, seria mais um, mas não foi assim. Ficaram mais tempo que deviam. "Preciso ir", ela dizia. "Fica mais um pouco", ele insistia.

Os beijos estavam mais voluptuosos e a falta de cama foi compensada pelos móveis. "Cama é coisa pra quem é casado, porque é sem graça", diziam um ao outro.

Após deliciarem-se, ele a viu vestindo-se. Gostava de vê-la assim, nua, e queria vê-a assim mais vezes, em sua casa. Porém, sabia que não era assim. O momento foi tão maravilhoso que parecia a última vez.

A tragédia

E foi a última vez. Depois dessa, ela partiu para uma melhor. Carlos, então, ficou arrasado. Não sabia mais viver sem ela, não sabia o que fazer sem ela. Mas o destino quis assim. O amigo tentou falar algo, mas só conseguiu soltar a pérola.

- Meus pêsames...
- Pêsames?
- É! Pêsames. Não é por causa da morte dela que tu tá assim?
- Que morte o que, cara. Eu tô assim porque sei que nunca mais vou fazer nada com aquela guria. Resolveu voltar para o namorado. E, cara, era tão bom...
- Ah, então vai te foder! - disse o amigo.

Olhou pra garçonete, que era uma loira espetacular, estilo modelo de lingerie, e retrucou ao Carlos.

- Aquela ali é facinha. E se tu achava essa outra maravilhosa, é porque tu nunca foi servido pela Laurinha.

domingo, 31 de agosto de 2008

Frio e calculista

O Bernardo é uma pessoa legal. Por onde passa chama a atenção. Não pela sua beleza, porque muitos não consideram-no bonitão. Sim pelo seu bom humor sarcástico. É impossível ficar ao lado dele e não rir. E também não dizer "quero morrer te tendo como amigo, senão tô fodido". Não é para menos.

Um dia um colega de trabalho - na verdade um superior, mas não o chefe - chegou pedindo ajuda. Bernardo, como sempre, ajudou, sem problema algum. Afinal, para ter sucesso é preciso trabalhar para tê-lo, e da melhor maneira possível. O problema é que esse "superior" - que na verdade é o filho do chefe - começou a abusar do nosso amigo.

Todos os dias vinha com aquele papo de "Cara, tô sem tempo, me ajuda nisso?". O rapaz, cujo nome é Fernando, pensou que Bernardo era inofensivo. Ledo engano.

Pouca gente sabe, mas ingenuidade e meuguice não combina com o temperamento do personagem central desse conto. Não é mal-caráter, mas é frio e calculista. É obstinado pelo sucesso, mas nem por isso vai sair por aí pisando em cima de todo mundo. Ou seja: não deixará de conquistar o que quer, mas também não arriscará amizades para isso. O que não é o caso da relação dele com Fernando.

E foi isso que aconteceu: uma brecha estava ali, na sua frente. Apesar de Fernando ser o filho do chefe, não estava atendendo as expectativas do pai. Foi aí que começou a arquitetar seu plano.

Não que Bernardo seja um cretino, longe disso. É apenas, como disse, um cara que está sempre em busca do sucesso. Enquanto os demais colegas - que taxaram-no de inimigo tão logo Fernando foi demitido -, o "nosso herói" manteve sempre a sua aparência calma e tranqüila.

O que ninguém percebeu é que atrás daquela ingenuidade estava uma mente que não parava de racioncinar a melhor maneira de conseguir o que queria.

Muitos chegaram ao posto que Bernardo desejava, mas nenhum ficou por muito tempo. Enquanto uns derrubavam os outros, ele comia pelas beiradas. Fazia o seu trabalho do jeito que tinha de fazer, mas sempre mostrando competência. De competição ele gosta, o que não gosta é de competir com fracos. Sabe como é, se é pra disputar alguma coisa, que seja com quem possa dar trabalho: "vitória sem esforço é uma merda", já disse algumas vezes.

Sete meses. Foi tudo o que precisou tornar-se chefe. Como? O dono da empresa simplesmente viu-se incompetente para manter o trabalho na linha e contratou Bernardo como o maioral. Hoje dá palestras em universidades e em empresas. Quando perguntam como conseguiu chegar lá, responde de forma sutil e ao mesmo tempo firme:

- Sou de escorpião. Quer mais o quê?

domingo, 24 de agosto de 2008

Filho da puta

"Filho da puta", foi o que ouviu ela dizer. Estava no banco logo a frente do dele. Já a tinha visto nas viagens de Universidade-Porto Alegre algumas vezes. Pensara em conversar com ela, mas como iniciar a conversa? Enfim, começou, logo depois de ouvir o palavrão após o gol do Flamengo em seu time de coração.

Levantou um pouco a cabeça e a avistou. Não era aquela guria maravilhosa, mas chamava sua atenção. Cabelos castanhos ondulados presos. Os óculos com armações na cor negra, assim como seus olhos, pousava sobre seu pequeno nariz. Encantou-se pelo sorriso - e como era bonito, mesmo.

"Quer matar um, é?" arriscou um início de papo. Ela retornou, suavemente, um "sim! Se eu souber onde ele está sentado, vai ser melhor". Cabe aqui dizer que ela procurava o cretino que ficava o tempo todo falando "chora, timinho". "Tá vendo aquele banco? Pois é, ele está dois atrás", ele retrucou e acrescentou "A gente pode fazer igual ao João Hélio: pede pro motora abrir a porta e deixa ele arrastando da BR-116 até Porto Alegre".

Ouviu uma gargalhada gostosa e sincera com uma pitada de "ai que horror". Mas o sarcasmo do carinha que ela também já tinha visto mas que não tivera coragem de bater um papo chamou a atenção. Aos poucos, a conversa fluiu - ela na frente e ele atrás, pois ambos estavam com os lugares aos seus lados ocupados.

Elaboraram teorias mirabolantes, como o provável ladrão da vara da atleta gaúcha ser o Diego Hypólito - "Viu? Foi por isso que ele caiu na última acrobacia do solo - até a possível desmotivação da seleção feminina de futebol. Chegaram a conclusão de que, pelo fato de nenhum torcedor gritar "vamo lá gostosa", as meninas estavam chateadas.

Mais risos, mais piadinhas. "Pára, teu amigo aí do lado é o Cérebro, porque tem várias idéias, e tu é o Pink, porque parece que só executa" pra lá e "Tá, e tu é a Velminha do Scooby-Doo". Perceberam, então, que não sabiam o nome um do outro. "Flávio, e a sua graça?", perguntou e ouviu "Daiane".

Soube algumas coisas da vida dela, e ficou um pouco triste ao saber que ela tinha namorado. "Mas isso não é problema pra mim, mesmo", pensou.

Nunca um "filho da puta" foi tão importante para apresentá-lo a uma guria. Ainda mais interessante. E pensou que ali poderia mudar seu conceito sobre amor e paixão. Ou não.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Bolo

A Cíntia era uma guria bacana. Não é nova. Tem lá seus 25 anos e é bem interessante. Seios pequenos, é verdade. Mas as coxas... nossa, que coxas. Torneadas, firmes, fortes e brancas. É! Ela é descendente de alemã. Queria o que? Que fosse torradinha do sol? Pelo menos ela não fazia bronzeamento artificial em pleno inverno.

Tá! Não falei da cara. É um rosto bonitaço. Os olhos verdes combinam com os cabelos loiros.

E ela se interessou por um guri. Segundo ela me disse, cerca de 19 anos, moreno. Alto, corpo escultural e cabelos lisos. Ah, também de olhos verdes. Não sei a tara que as pessoas têm por essas combinações diferentes, mas pensou muito no cara. Tanto que tomou a iniciativa: combinaram de sair.

Tudo certo. Iam para uma lanchonete - o McDonald's não me paga pra pôr o nome da empresa no blog - e ela esperava que ele tomasse alguma atitude. Ficou bonitona pra encontrá-lo, coisa e tal. Ficaram de se mandar mensagem no celular para confirmar o encontro. Mandou e esperou resposta.

E esperou, e esperou, e esperou, e esperou...

"Filho da puta", me confidenciou que pensou. Foi pro trabalho, o msn abriu automaticamente, viu uma mensagem e começou o papo (a escrita do guri foi modificada para que seja de fácil compreensão).

"FeRnaNDiNHu u mAiX GaTU diz:
Oi, desculpa não ter ido, tá?

Cíntia (no trabalho) diz:
Que isso.

FeRnaNDiNHu u mAiX GaTU diz:
Eu não tive como ir. Fui fazer uma entrevista de emprego...

Cíntia (no trabalho) diz:
Tudo bem.

FeRnaNDiNHu u mAiX GaTU diz:
Mas é só combinar que da próxima vez não vou dar bolo.

Cíntia (no trabalho) diz:
Se tu faltar, não falo mais contigo.

FeRnaNDiNHu u mAiX GaTU diz:
Tá, tudo bem"

Enfim, chegou o dia. Dessa vez, o encontro era à noite. Apesar de se conhecerem apenas virtualmente, os papos na madrugada com webcam ligadas mostravam que ambos eram verdadeiros - e não fakes para sacanear. Então não tinha medo de dar com os burros n'água.

Chegou no horário no local e esperou pelo Fernandinho. E esperou, e esperou, e esperou... Recebeu uma mensagem no celular que dizia: "oi gata nao pud ir ai pq meu cachorro morreu e ele era meu broder. a gente pode se ver outro dia".

Calmamente pegou o celular, ligou para o dito cujo, ouviu um "Oi gata, des..." e logo soltou "Vai te foder, filho da puta. Se tu continuar assim, vai viver na punheta".

Desligou o telefone e foi para a faculdade apresentar o trabalho.

domingo, 17 de agosto de 2008

Água com chocolate

Não acredito no que estou vendo. Que guria maravilhosa. Linda e maravilhosa. A combinação perfeita pro adjetivo gostosa. Aliás, quem é essa guria?

Olha como ela toma uma ducha. A forma como deixa a água cair sobre o seu corpo me faz ir a loucura. É verdade isso. Ela consegue ser sensual em uma simples ducha.

Como eu queria ser aquela água. Descer aos poucos pelo corpo dela, de leve. Passando pelo cabelo, olhos, boca... Na verdade, ficar ali, como aquela gota d’água que nunca se decide se vai ficar ou se vai descer. A gota pode ficar, mas eu prefiro descer.

Continuar deslizando por aquela pele suave. Tirar o cloro do corpo dela deve ser delicioso. Aliás, o cloro deve mudar de sabor. Deve ter o gosto de brigadeiro. Isso: o cloro é o brigadeiro e a água é a minha língua. Que parceria perfeita.

Passar pelo pescoço, suavemente, e aos poucos deslizar pelos ombros, busto, seios... Ah, os seios. Quero permanecer ali por muito tempo. Ela está com a parte de cima, cor de rosa, mas tenho certeza que o conteúdo é maravilhoso. E quero me perder naquele conteúdo, que está na proporção perfeita. E o melhor de tudo: é natural. Dois belos bolos com cobertura de chocolate. Ah, que delícia.

Mas, como a água corre, não posso ficar só ali. Continuo descendo, de leve, por todo o corpo. Tórax, barriga, cintura... Mas como o corpo não é feito só de parte da frente, é bom ir para trás. Afinal, sou uma água, e preciso passar por todos os espaços – e isso inclui as costas.

Dar voltas pelo corpo todo, suave como a água. E as minhas mãos também são a água. Eu pela frente, e elas por trás. Sim, tirar todo o excesso de cloro com gosto de brigadeiro com a língua e com as mãos. Isso é uma delícia.

Vamos descendo em sintonia: a minha boca e as minhas mãos. Depois de me perder pela barriga gostosa, tenho de ir mais pra baixo. Ainda tem muita coisa pra tirar.

Enfim, a cobertura da parte do bolo que nós, homens, mais gostamos. A parte de baixo do biquíni, com estampas coloridas com desenhos de estrelas, borboletas, flores, e outras coisas mais, parece com aqueles desenhos de bolo. Como no bolo real é bom, nesse aqui – que também é real -, deve ser melhor ainda. Morder a parte de cima, para tira-la não muito rápido, mas o suficiente para aproveitar o recheio, e por ali me perder.

Colocar tudo aquilo na boca, tirando todo o excesso do brigadeiro. Maravilha. Minha língua, com toda a certeza, está feliz ali. Brincando com o recheio, aquele recheio maravilhoso, que faz a gente querer degusta-lo. E tenho certeza de que ela gosta disso.

Enquanto minhas mãos vão tirando todo o excesso das coxas, dos joelhos, das canelas, e dos pés, eu permaneço ali, deliciando-me com aquele saboroso banquete que ela tem entre as pernas.

Como eu queria ser aquela água. Como eu queria... opa, melhor eu ir pra água. As pessoas vão ficar constrangidas ao me ver assim. Maldito calção de banho!

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Jogos Olímpicos

Os dois estavam ali, um de frente pro outro, encarando-se como dois competidores. Não desviavam os olhares de jeito nenhum. Na verdade, desviavam só um pouco. Ela estava na expectativa: queria ver qual seria a sua tática de ataque.

Já tinham se visto muito tempo antes, durante as tais competições. Ele não conseguia parar de pensar naqueles cabelos loiros, um pouco abaixo da linha dos ombros. E a atenção, para a surpresa dele, era recíproca. Porque ela, também, não conseguia não imaginar como descobrir tudo o que há por trás daquele olhar misterioso.

Um sorriso dela. Foi tudo o que ele necessitou para partir para o ataque. Beijou-a com tanta vontade que ambos respiravam fortemente, tal qual fazem os nadadores durante a disputa dos 400 metros nado medley. Suas línguas travavam uma forte batalha, como se tivessem inspirado na luta Greco-Romana.

Ainda assim, esperavam mais um do outro. A mão dele, parecendo um cavalo em uma prova de hipismo, saltou alguns obstáculos. Descendo pelo pescoço dela, uma passou pelas costas e outra pela frente, passando próximo do que ele acreditava ser a perda de pontos.

Ela também fez o mesmo. Suas delicadas mãos passaram pelo corpo alheio. Em um determinado momento, temeu estar em impedimento. Entretanto, percebeu que a bandeira estava levantada, mas o juiz não assinalou impedimento.

"Mesmo sendo o nosso primeiro encontro, não precisamos impor limites", ela disse. Essa frase foi a chave para abrir o quarto para conhecerem mais as qualidades um do outro.

Entre quatro paredes, viram os atributos um do outro. O desenho dos corpos não estavam nas atenções principais. Ele não se conteve ao ver toda a desevoltura de sua companheira, como se fosse uma ginasta no tablado. Os movimentos que fazia sobre o seu corpo a tornavam, também, uma expert na doma de cavalos.

Ela, enfim, viu que o judô também é um dos esportes preferidos dele, devido ao jeito que a deitou na cama. Não a imobilizou, mas também não deixando se desvincilhar facilmente. Outra troca de sorrisos, outra troca de olhares penetrantes, uma troca ardente de paixão - momentânea ou não, não há como saber.

Terminaram, ali, o jogo que começaram. Se é necessário definir um vencedor, pode-se dizer que terminou em empate. Porém, não foi um resultado frustrante, se levarmos em conta que não pararam de sorrir um só minuto, felizes com a conquista que cada um levou de volta a sua casa.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Não agüento mais

Minha trufa de chocolate com leite condensado,

Poderia começar essa carta com uma citação daquela música do Renato Russo com o Erasmo Carlos (ou será que é ao contrário?), que diz "escrevo-te estas mal traçadas linhas meu amor", mas não vou. Porque esta não é uma carta de amor. Até seria, se pudesse levar esse sentimento adiante.

Deveria te dizer tudo isso, é vero, ao vivo, como há muito já falamos, mas não sei se conseguiria ser sincero te olhando. Tu sabe que não resisto ao teu olhar e, a princípio, insistiria em continuar. Isso, lógico, se tu me quer. O que, pelo que vejo, não é o caso.

Mas preciso ser forte, então, vai por carta, mesmo.

Eu não agüento mais essa situação. Essa história de não podermos nos ver o tempo todo, de sermos discretos, me cansa. No início, tudo bem, mas depois de tanto tempo? É pedir demais, não?

É um saco sair contigo e ter que me controlar pra não beijar a tua boca. De, para termos uma noite tranqüila, esperar a tua agenda e ir a um motel, porque na minha casa não dá. Que mal há? Acha que meus pais não entenderão? Ah, tenha paciência.

Não agüento, mesmo. Ficar a semana toda esperando poder beijar o teu corpo, tu morder minha boca, enfim, ter tudo aquilo (e um pouco mais, por que não?) do que planejamos e, no fim das contas, não poder. Sei que a situação não é das mais confortáveis, mas que mal há?

Não posso conhecer tuas amigas, não posso ligar pra tua casa... Conversa por internet só quando estamos no trabalho? Não dá, não dá.

Sinto saudades de ti. De conversarmos pra caramba sobre os mais diversos assuntos. O que eu queria de ti não era apenas sexo, mas sim algo mais. Só que, a cada dia que passa vejo que isso é apenas algo distante de acontecer. Isso pra não dizer que é uma utopia.

Então, essa carta é justamente para dar um fim nessa relação. Achei que conseguiria ser teu amante, mas vi que não dá. O que sinto por ti é muito grande. Sinto, também, que por mais que queira dizer que não, é recíproco. Mas tu não dá o braço a torcer. Não quer trocar o que é certo pelo duvidoso.

E até hoje me pergunto: por quê deste em cima de mim, se não queria algo mais do que apenas sexo? Acha que homens só pensam nisso?

É... é melhor acabarmos. Foi bom enquanto durou.

Beijo e até mais (se é que ainda poderemos ser amigos, o que insistíamos desde o início).

Texto inspirado no post da Dama de Cinzas.

sábado, 2 de agosto de 2008

A atitude

“Hum”. Foi isso que ouvira depois de se declarar à ela. Lógico que ficou chateado. Afinal, quem é que não se chatearia se ouvisse um “hum” depois de uma declaração de amor? Vai dizer. Tu deve ficar assim se estiver falando qualquer besteira com alguém e ela soltar o maldito “hum”.

Não tinha reação. Ele estava ali, diante dela, em um momento que julgava importante pra caramba. Lembrou-se de quando a viu pela primeira vez no Orkut. A fotinho do perfil era aquelas tiradas de cima, sabe? Usava um decote e fazia um biquinho que achou a coisa mais bela. Foi aí que decidiu: ia fazer de tudo para ficar com ela.

Em pouco tempo, conheceu pessoalmente e, depois de uns dias, conseguiu o MSN. Nossa, que emoção. Achou que, com o tal mensageiro instantâneo, chegaria nela com mais facilidade. Isso porque, perto de um computador, fica mais confiante e, com isso, o papo flui.

O problema está justamente nisso. Não pensou que aquele simples interesse em uma guria bonita ia se tornar em algo grande. Isso porque, quando estavam juntos, não conseguia tirar o olho daquele sorriso. E quando iam jogar sinuca, sempre virava de costas – ela sempre encasquetou que ele era o culpado por errar as tacadas, essas coisas de mulher.

Vendo que seus sentimentos eram mais fortes do que imaginava, resolveu encarar de frente o fato: tinha que namora-la. Ela era a mulher da sua vida. Então, no churrasco da turma respirou fundo e decidiu: é hoje.

Tomou-a pela mão, levou a um canto para que não fossem atrapalhados e disse tudo, mas tudo, o que sentia. E foi aí que ouviu o famoso “hum”.

Olharam-se, pela primeira vez, fixamente. Antes que pudesse dizer “Pôxa, depois de tudo isso tu vem me dizer ‘hum’” ela soltou “Ta, e aí, não vai fazer nada?”.

A sombrancelha esquerda se levantou, meio que incrédulo, mas a vontade foi mais forte que ele. Puxou-a pela cintura, encaixando o quadril no dele. Com a mão esquerda acariciou-lhe a nuca, deu uma leve enrolada nos seus cabelos e beijou-a. Mas não esses beijos quaisquer que todo tímido dá, não. Foi um beijão. Tanto é que os demais olharam e não acreditaram.

Os dois beijando-se intensamente, os corpos bem unidos, fazendo inveja a qualquer outro casal. E tudo o que ele ouviu depois foi um “huuuuuuuummmm” – daqueles que demonstram gostar do que está acontecendo.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

The Brother Hood Band

Ele chegou no local indicado por um dos seus amigos. Era um bar interessante. Estilo pub, porém mais aconchegante. Por todos os lados tinham quadros da banda inglesa The Beatles. "Putz, como que fui esquecer que Sgt. Peppers era o nome de um dos cds dos caras?", pensou, quase que dando um tapa na testa.

Usava o seu traje habitual. Uma calça jeans preta, uma camiseta preta, por cima, um paletó preto. Calçava sapatos pretos e, sobre a cabeça, um chapéu estilo Panamá, também preto. Essa era a cor preferida. "Contrasta com a cor dos meus dentes", disse certa vez a uma ex-namorada.

Enquanto aguardava a banda subir ao palco para tocar, pediu ao garçon para trazer-lhe uma lata de Coca-Cola e uma Torta de Sorvete. Achou engraçado o modo como se vestiam os garçons: sapatos, calça social, colete e chapéus pretos. A única coisa que os diferenciava era a cor da camisa - a dos garçons era branca. Ah, e o chapéu também era diferente, um pouco arredondado na parte de cima.

Quando seu pedido chegou, entrou em êxtase: a Coca-Cola estava bem gelada e a torta de sorvete coberta com um chocolate delicioso. "Ah, se lá em casa fosse assim", pensou. Foi quando percebeu algo diferente. O telão que ficava um pouco à frente tocando Rolling Stones - foi aí que percebeu porque ele cantava "I know, is only rock'n roll, but I like it" - subir aos poucos. Insantes depois, cinco pessoas subiram e pegaram seus instrumentos.

Uma palavrinha amiga do vocalista, agradecendo pela presença de todos, explicando um pouco do esquema do show - que era dividido em dois blocos.

Quando a banda começou a tocar, a surpresa: mesmo o show sendo um tributo a um dos maiores músicos do século passado, Eric Clapton, eles eram simples. Muito diferente de outros grupos que foi obrigado a ver. Um bando de mané que mais grita do que canta e que são piores que os punks: em vez de três acordes, sabem só dois.

Ele ficou ali, contemplando a banda tocar de uma forma harmônica e de uma simplicidade incrível. Nada de baterista virtuosi, que acha que ficar descendo a lenha no instrumento vai fazer a galera levantar. O tecladista, mesmo fazendo solos eletrizantes, em momento algum se achou maior que os outros e, o tempo todo, manteve-se discreto.

Na frente, os três homens dos instrumentos de corda completavam a humildade dos demais: nada de ajoelhadas, cabeça pra trás e língua pra fora. Nada de pulos e mais pulos em círculos. Nada de guitarra atrás da nuca dedilhando o hino dos Estados Unidos. Eles estavam ali não para fazer malabarismos, mas para tocar. E isso o encantou.

Encantou não apenas por isso. A cumplicidade que os componentes tinham era demonstrada a cada música, a cada sorriso, a cada início, decorrer e término de música. Tanto é que, mesmo não gostando de Clapton, viu-se cantando algumas músicas quase que de trás pra frente, passando pela versão acústica de "Tears in Heaven" até a fabulosa "Layla". A banda era, praticamente, perfeita.

Só não era perfeita por um problema: não era ligada à modinha. Porque, se fosse, com certeza estaria na boca do povo, mas também gritando, em vez de cantar, fazendo malabarismos em vez de tocar e escrevendo músicas imbecis em que a melhor rima é aquela entre "razões" e "emoções".

Depois que acabou, o nosso amigo terminou sua segunda torta de sorvete, aplaudiu os músicos, pagou a conta e pensou na merda de não ser um produtor musical. Porque, se fosse com ele, essa banda estava nas paradas. Infelizmente, era um mero estudante, dono de um blog não muito conhecido.

BrotherHood Rock&Blues. Essa banda poderia fazer sucesso. Se é que não fará.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

(Praticamente) Impossível

Este é Francisco: cabelos ondulados que vão até o pescoço, um nariz um pouco avantajado, tipo italiano. A boca? Bem, mais parece uma fatia de queijo, de tão fina que é. Seus olhos azuis em contraste com sua pele morena - nada de bronzeada do sol.

Francisco é um cara apaixonado. Não apenas pela vida, mas pelas mulheres. Nossa, como é mesmo apaixonado pelas mulheres. Não consegue passar uma semana sem um rabo de saia. Não que ele seja cachoro, mas é que não adianta. Pelo menos uma vez por semana tem que dormir com alguma guria.

Enfim, eis que Francisco - El Garanhón, como alguns amigos imbecis o apelidaram - resolve se apaixonar. Não aquela paixão de uma semana, mas aquela paixão ardente, que faz qualquer homem enlouquecer e ficar abobadamente idiota. É! Ele se apaixonou.

Não dá pra negar. A guria é linda. Morena, cabelos cacheados que, segundo ele, parecem ir até metade das costas. "Não é gostosona, mas deve ser daquelas que têm tudo no lugar", vive dizendo. Segundo ele, parece daquelas falsas magras: parece que é uma coisa, mas, na verdade, é outra - e muito melhor que se imagina.

Aos poucos a paixão foi consumindo-o por dentro. Não consiguia ficar longe dela. Conversar pelo menos uma vez por dia era algo praticamente sagrado. Precisava vê-la. Sim, sim, precisava vê-la.

Gostava daquele sorriso espontâneo, aquela risada gostosa que faz qualquer um procurar deonde vem. E quando solta os cabelos? Francisco vai à loucura, pois parece aquela modelo da L'Oreal.

E a boa? Ah, a boca. Nossa, que boca maravilhosa ela tem. Boca carnuda, que pede para ser mordida como se fosse o chiclé de menta mais gostoso do pedaço. Puta que pariu, ela era, definitivamente, a guria dos sonhos dele.

Além disso, ela é ninfomaníaca. NINFOMANÍACA. Era tudo o que queria: uma guria com quem, além de ter um bom papo - e ela tem -, pudesse fazer sexo por horas e horas diariamente. Afinal, odiava academia, e o sexo era o único exercício que ele gosta de fazer.

Porém, outro dia ele ficou triste. Triste pra caralho, pra dizer a verdade. A guria que ele tanto quer, que ele se apaixonou - e não só por ser ninfomaníaca, mas também por isso -, é praticamente impossível de namorar. Não, ela não tem namorado. Pra Francisco, o fato dela ter um eventual namorado não o incomoda. O problema, mesmo, é que ele mora em Porto Alegre e ela no Rio de Janeiro.

Porra, Rio de Janeiro? Vai te foder, Francisco. Arranja uma gaúcha e seja feliz. Mané!

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Janelinha imbecil... ou não

Ah, o MSN. O Ricardo lembra muito bem da primeira vez que utilizou esse programa. Estava com o ICQ aberto e entrou naquele antigo "MSN Explorer". Do nada, viu algumas pessoas adicionando-o e conversando com ele por ali. Aquela nova ferramenta, no início uma cópia de ICQ, acabou virando a melhor para ele comunicar-se: afinal, depois de um tempinho, todos os amigos deles trocaram o primeiro programa por esse, cheio de fru-fru, coisa e tal.

E o Ricardo sempre foi um cara, digamos, multi-funcional. Cada vez que abria o seu "mensageiro instantâneo" - ó, que bonito -, tinha, pelo menos, 10 janelinhas piscando ao mesmo tempo. Se achava tão popular, o coitado do Ricardo.

Pelo MSN conseguiu muitas coisas. Trabalho, amigos, namoradas, essas coisas. Era um cara, virtualmente, bem relacionado. Ok, não só virtualmente, porque o lance das namoradas era carnal. O motel Botafogo já estava, praticamente, fazendo aquelas promoções vips: "a cada dez vezes aqui, ganha uma de 12 horas de graça".

Com o tempo, Ricardo foi perdendo as namoradas. Sabe como é, se enjoa fácil e, como um baita galanteador, arranjava outra logo, logo. E foi numa dessas que ele fez algo bizarro.

Estava namorando uma outra guria, mas não transava. A dita-cuja era toda recatada e, mesmo Ricardo tendo o que elas chamam de "a pegada", ela não arredava o pé - nem abria as pernas. Não dava de jeito nenhum.

Foi então que conheceu uma guria que morava numa cidadezinha distante da que ele estava residindo. As coisas foram esquentando, papo vai, papo vem, enquanto a namorada não abria as pernas, a outra fazia isso pela webcam. Uma maravilha. Poderia muito bem ter gravado aquilo, postado em um ftp, criado um site do tipo "Putinhas da Webcam" e feito um spam filho da puta no Orkut.

Ele estava a fim dela. Ela estava a fim dele. Trocaram telefones, falavam coisas sacanas à noite, antes de dormir, blá, blá, blá, Whiskas Sachê, blá, blá, blá.

Como todo homem imbecil, Ricardo precisava desabafar. Foi quando viu a janelinha do MSN de seu melhor amigo subir para escrever "Cara, lembra daquela mina que eu te falei? Tô indo lá pra cidade dela pra comê-la, tô precisando esvaziar o saco!".

Não deu nem um minuto, a janelinha da namorada dele piscou. "Que história é essa? Tu não vai pra lá estudar? Vai é pra comer uma?".

É, essa janelinha imbecil do MSN acabou com o namoro do Ricardo... mas, também, ajudou-o a redescobrir como o sexo é bom.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Pateta

Sérgio era um cara bacana. É sério, muito legal, divertido, e, pelo que vi, até que as mulheres tinham um certo interesse por ele. O problema é que o Sérgio, coitado, nunca foi bem em entender os sinais que as gurias mandavam. Na verdade, ele era pior que o babaca: ele era um pateta.

Na verdade, um patetão. Um patetão daqueles imbecis, de deixar a chance escapar quase sempre. Como a dessa vez que vou te contar.

Era carnaval, e lá foi Sérgio no clube de sempre, para a festa de sempre, com os amigos de sempre. Até que, de uma mesa, veio aquela beldade. Uma guria com cerca de um metro e sessenta de altura, loirinha, uma gracinha de se ver.

Sérgio não tirou os olhos dela. Afinal, aquela princesinha estava com um microshort jeans branco claro, que delineavam bem seu par de grossas coxas, firmes e fortes, e arrebitavam a bela região glútea. Mesmo já tendo visto a dita cuja de biquíni na piscina do clube, achou aquela cena sensacional. Sua barriga estava à mostra, assim como seu piercingzinho no umbigozinho e usava um daqueles top que deixam os seios – os dela são daqueles que cabem na mão e sobram na boca – mais volumosos.

Os olhos passaram pelo corpo todo até o seu rostinho. Bonito, como sempre, e com um sorriso maravilhoso – daqueles que formam covinhas nas bochechas. Sérgio estava encantado, como sempre estivera ao lado dela.

Pois essa pequena mulher-maravilha, no alto dos seus 18 anos, aproximou-se dele. Não apenas isso. Deu um daqueles abraços de fazer qualquer outro cara ficar com inveja, pois colocou os dois braços em sua nuca e o aproximou para bem perto do seu rosto para sussurrar em um dos seus ouvidos:

- Era tu quem estava faltando para alegrar o meu carnaval.

Sérgio olhou-a fixamente nos olhos, deu um daqueles leves sorrisos que ele nem percebia ser sedutor e disse:

- Legal!

Saiu e foi curtir a festa e tentando conquistar outras gurias, sempre de olho na pequena.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

As surpresas do centro de uma metrópole

Ai, não acredito. Aquele gatinho lá tá me olhando. Terninho, cabelos loiros lisos, com gel, escovados para trás. Hmmmmm, que maravilha. Será que ele tá mesmo me olhando? Sim, está.

Tu deve tá pensando o seguinte: "Como é que essa véia tem tanta certeza disso?". É simples, olha ali, ele não tira o olho de mim mesmo. Ai, deu um sorrisão. Que sorriso bonito, meu Deus. Viram, guriazinhas metidas à besta que se acham gostosas por demais com esses peitos levantados por causa dessas blusinhas? Ele está olhando pra mim.

A cara delas é impagável. A loira maldita, que eu chamo de sabonete - porque está sempre se esfregando em algum amiguinho dela - tá boquiaberta. Não consegue desgrudar o olho, com uma cara de incrédula. Toma, tolinha. Ele me quer.

Nossa, que supimpa isso. Ele está vindo em minha direção. Agora, cadê aquela vaca da minha cunhada, hein? Vive dizendo que eu estou acabada, que isso, que aquilo. Se ela estivesse aqui, com toda a certeza estaria igual àquela loira: de queixo caído. Aquele loirinho, dentro daquele terno, todinho, TODINHO meu!

Finalmente tirarei essas teias malditas. Ai, meu Deus, não me depilei hoje. Ah, mas dane-se, ele vai entender. Até que enfim esse silicone fez efeito. Aqueles duzentos militros não estavam de acordo. Agora, esses duzentos e cinqüenta estão acabando com essas guriazinhas. E academia pra quê? A moral é colocar silicone na bunda também: fica bem empinadinha e bem durinha. E hoje vou testar toda a resistência deles, porque eu quero mais é que ele me puxe pelos cabelos implantados e me faça reviver os tempos de mulher desejada.

Pronto, ele está vindo. Deus, que homem. Abriu um sorrisão. Ai, que fogo que estou. É hoje, é hoje. Vou olhar praquela vaquinha só pra ver o a cara dela. Toma, cadela. Hoje quem vai se esfregar em um mastro sou eu. Blergh. Vamos lá, vamos dar um sorrisinho para não dar bandeira. Assim está bom, será? Acho que sim, porque ele está vindo em minha direção.

Ai, ele vai dizer alguma coisa...

- Empréstimo senhora? Temos uma linha de crédito especial para idosos e...

FILHO DA PUTAAAAA!!!!

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Rápido e marcante

Estávamos com pressa. Enfim, precisávamos chegar o quanto antes naquele maldito trem. Sabe como é essa vida de estudante que mora em uma cidade e estuda em outra: um verdadeiro saco. Tem de cuidar de tudo, principalmente do horário para sair do trabalho para que não chegue muito atrasado na aula – e possa repetir a disciplina devido a (falta de) freqüência escolar.

Ok, essa explicação demorou um parágrafo, mas foi necessária. Então, precisávamos chegar o quanto antes naquele maldito trem. Ele é mais rápido que andar na estrada, pois não tem congestionamento. O único problema é ficar apertado por um monte de gente. Agora, sim, sei o que uma sardinha sente quando está enlatada. A diferença entre ela e eu é que um de nós está morto – nesse caso, o peixe.

Passamos a roleta – que em alguns lugares é chamada de “catraca” – e fomos direto para as escadas de concreto. Poderíamos escolher a escada rolante, mas como a fila é imensa e temos uma vida sedentária, resolvemos fazer exercícios.

“Estamos chegando”, eu digo, quando sinto um arrepio pelo meu corpo todo. Uma mão delicada pousa sobre a minha nuca. Olho para trás para ver o que está acontecendo – juro que imaginava ser um assalto – e ela aproxima aqueles maravilhosos lábios carnudos dos meus, me forçando a beijá-la.

Dez segundos. Não que eu ande com cronômetro para cima e para baixo para ver quanto tempo demoro, mas aquele beijo não demorou mais do que dez segundos. Nem por isso deixou de ser marcante. A sensação de ter um beijo roubado é maravilhosa. A gente se sente especial, e aquele momento, por mais curto que seja, marca.

Por que? Ora, porque o beijo roubado é o início de tudo. Pode ser o início de um belo romance, como a perda de uma valiosa amizade. Porém, é impossível não se sentir especial neste momento, pois o inesperado fomenta a adrenalina, nosso coração bate cada vez mais forte, as pernas balançam como se fôssemos portadores de Mal de Parkinson, e as nossas línguas se movimentam de uma forma intensa, junto com os nossos 29 músculos faciais – rápida, é verdade, mas também maravilhosamente intensa.

Enfim, apenas dez segundos, mas muito mais marcantes que aqueles de cinco, dez minutos.

domingo, 18 de maio de 2008

Tunti-tunti

"Ô, cara, vamos na festa. Vai fazer o que aí parado? Ficar na frente do computador escrevendo sei lá o que?". Essas foram as palavras de um amigo meu. Não vou esquecer. Não, não estou falando dele, mas sim do dia. Afinal, foi com este conjunto de perguntas que, momentos depois, tive uma noite memorável.

Cheguei no recinto e não me senti bem. Odeio essas festinhas só de tunti-tunti, onde as pessoas colocam os braços pra cima, mexendo de um lado pra outro, como se fossem um bando de bonecos de posto. Porém – sempre ele, o "porém" – foi neste lugar que a vi. Não consegui tirar os olhos dela – e mais da metade da festa também não. E o cara que não olhasse ela ou estava namorando ou era veado – se bem que, acredito, até os comprometidos desviaram suas visões, mesmo que momentaneamente, à ela.

Cabelos lisos e cumpridos, um par de lábios carnudos e grandes, assim como os volumosos seios sustentados por aquele belo decote sem a necessidade de sutiã para sustenta-los. E os olhos? Ah, os olhos... Deves ter percebido que adoro olhos e olhares. Como diz aquela música, "milhares de tentações". Sim. Várias tentações com aqueles olhos, repletos de malícia, mas em momento algum vulgar.

Não sei o que deu nela, ou se era impressão minha, mas também não deixava de olhar. Com certeza, não era imaginação, pois quando estava prestes a ir ao bar, pega a minha mão de leve, para eu ter certeza de que era a mim que queria. "O bar não vai sair de lá, mas ela sim", pensei e quase usei isso como cantada, o que não foi preciso.

Estava louca, a guria, pois puxou-me para junto dela para dançarmos – postou-me, mais precisamente, atrás dela. Com as mãos em minha cintura, não deixava meu corpo desgrudar do dela, acompanhando o seu ritmo durante um bom tempo. "Não precisa me segurar, pois não sairei daqui", disse, suavemente, ao ouvido dela, dando uma pequena mordida na pontinha inferior da orelha esquerda.

Sim, ela estava louca, só podia estar, pois virou-se bruscamente, colocando sua mão esquerda em minha nuca forçando-nos um beijo – e que beijo. Uma mistura de intensidade e selvageria com sutileza e delicadeza. E o enrosco de nossas línguas era tão excitante que ela pôde perceber.

"Me ralei", pensei, mas estava enganado. Encostou-me em uma das paredes. Nossos beijos tornaram-se (muito) mais intensos e fortes, assim como as mordidas que um dava nos lábios do outro. Aos poucos, senti uma mão delicada acariciar-me suavemente sobre a calça.

Com uma habilidade extrema, abriu meu zíper, massageando-me de acordo com o ritmo das músicas que tocavam no ambiente. Ora mais intenso, ora mais suave, mas sempre no ritmo certo, fazendo meu coração acompanha-lo, enquanto os meus dedos estavam ativos – em uma mistura suave de agitação com calmaria -, mostrando-lhe que não são habilidosos, apenas, para escrever contos eróticos.