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quinta-feira, 8 de maio de 2008

Papo de boteco: amigos e amigas

Antes, é necessário situar-te. Verônica, Marcelo e Flávia são três amigos de longa data. A idade de cada um deles corresponde à apresentação já feita, sendo Verônica a menos nova, Marcelo o do meio, e Flávia a mais nova, sendo que a diferença entre a primeira e a última não ultrapassa cinco anos.

Conheceram-se em uma das cadeiras – em alguns outros lugares são chamadas de “disciplinas” – do curso que fazem na universidade que freqüentam - não importando nem uma coisa nem outra à ti, criaturinha que lê este distinto e pervertido blog. Todos os dias em que tinham aulas juntos, ou seja, uma vez por semana, aproveitavam a segunda parte para mata-la – a aula – e ir no boteco em frente à instituição beber.

E, como deves saber, é no boteco que surgem as melhores discussões, como a que acompanharás a seguir.

Flávia: Ô Marcelo, o que aconteceu contigo?

Marcelo: Nada não.

Verônica: Pára com isso. Tu não nos engana.

Marcelo: Quem disse que não?

Verônica: Ta, até engana, mas não sempre. Com toda a certeza, alguma coisa aconteceu contigo.

Flávia: É, Marcelo, pode afogar as mágoas conosco.

Marcelo: Com vocês eu prefiro afogar o ganso...

Flávia: Ta,mas, tipo, agora tu tem que afogar as mágoas.

Marcelo: Ta bom. É o seguinte...

Verônica: Fala!

Marcelo: Se tu deixar.

Verônica: Eu to deixando.

Marcelo: Não parece.

Flávia: Ta, parem com isso.

Marcelo: Ok. É o seguinte, acho que perdi uma amizade.

Flávia: Ué? Por que?

Marcelo: Por que a guria não quis ficar comigo.
Verônica: Vaca! E por que?

Marcelo: Disse que era porque somos amigos.

Verônica: E o que fizeste?

Marcelo: Disse pra ela que não agüentava nem mais olhar pra cara dela.

Flávia: Mas por que isso, meu Deus?

Marcelo: Obrigado pelo elogio, mas não sou teu. E falei isso porque, se ela não queria ficar comigo por ser amigo, provavelmente quereria se eu fosse inimigo.

Flávia: E daonde tirou essa tese, gênio?

Verônica: Da lâmpada é que não foi...

Marcelo: Ah, juntei as duas coisas.

Flávia: Mas tu é burro, porra.

Marcelo: Sou não. Burra é ela, que gosta de ficar com desconhecidos.

Verônica: Concordo. Isso é desculpa esfarrapada.

Marcelo: também acho isso. O que de mais pode acontecer em ficar com um amigo?

Flávia: Isso que aconteceu? Perder uma amizade?

Verônica: Foi ela quem pediu isso.

Flávia: Foi não.

Marcelo: Claro que foi. Era só ter dito que não queria ficar comigo, e não dizer que não queria por eu ser amigo dela.

Flávia: Tem que ver que...

Marcelo: que ela é uma abobada. Pôxa, eu conheço ela, sei do que ela gosta e como trata-la. O que mais ela quer? Um cachorro?

Verônica: Provavelmente.

Flávia: Claro que quer. De que adianta ter tu, se é dos cachorros que gostamos?

Marcelo: Por quê?

Verônica: Porque adoramos mostrar para as outras que conseguimos domesticar um.

Flávia: Isso mesmo.

Marcelo: E vocês conseguiram fazer isso?

Ambas: Não.

Marcelo: Ta vendo? Se é pra ter insucesso, pra que não arriscar ficar com amigos? Poxa, vocês mal conhecem o cara e já dizem que ele é amigo só pra não ficar com o cara.

Ambas: Não é bem assim

Marcelo: É sim. Com quantos amigos vocês ficaram? Nenhum, né? E, poxa, só porque eles tratam vocês bem? Será que nós, amigos, não podemos ter algo mais com vocês? É um saco parecer um padre, que só ouve confissões femininas sendo que, na verdade, a gente quer é pôr vocês no colo...

Verônica: E trepar?

Marcelo: Também, mas botar no colo e encher de carinho, de mostrar que não precisam se preocupar com ciúmes, nem nada, porque não faremos nada que vá magoar vocês.

Verônica: Ah, que fofo.

Flávia: Que brega, isso sim.

Marcelo: É o que todas dizem, mas, porra, precisa só ficar no fofo? E, Flávia, sem comentários.

Verônica: Claro que não.

Marcelo: O que eu faço?

Flávia: Da próxima vez, não pergunta.

Marcelo: Dou um beijo na lata?

Flávia: Na lata não, na boca dela.

Marcelo: Ta, mas e se ela terminar a amizade comigo?

Flávia: Pelo menos tu vai ter beijado antes, mané.